Autoras: Margarida Ramos Pereira, Partner, e Margarida Rocha Santos, Senior Manager
Que tal arrumar a casa antes da oportunidade surgir, criando valor? O que pode ser feito antes de uma transação ser uma miragem?
A volatilidade contemporânea do contexto económico e empresarial dita as regras. E o que daqui resulta as mais das vezes, diríamos, é uma exigência específica ao nosso tecido empresarial: capacidade de resposta com valor acrescentado.
Se na viragem do milénio pensávamos que a concorrência, através do fenómeno da globalização, seria o grande desafio, os últimos anos tornaram claros que isso foi a ponta de um icebergue: desde a pandemia COVID-19, até aos conflitos bélicos, a capacidade de resposta, flexibilidade das organizações e antecipação têm sido postos à prova em todas as vertentes e áreas de atuação de uma empresa.
Num contexto em que são exigidas decisões numa base recorrente sob pena de, em última análise, não estar a dar-se resposta às necessidades e desafios do presente, a estratégia de médio e longo prazo tende a ser menosprezada, nomeadamente estratégias de abertura do capital a investidores, a realização de uma restruturação societária ou mesmo perceber se os procedimentos adotados são os mais corretos.
Variadas vezes ouvimos dizer que a empresa não tem qualquer problema, que os sistemas de controlo internos são adequados, qua a documentação existe. Mas, também não raras as vezes, essa perceção não corresponde à realidade.
Ora, e se, de forma consistente, a empresa for (re)desenhando a sua estrutura de detenção de participações sociais, adequando o seu modelo corporativo às reais necessidades e objetivos operacionais e estratégicos? E se fizer um levantamento de procedimentos sério e adequado, através de um processo de due diligence?
Pois bem, estas são apenas algumas das áreas em que a implementação de uma reorganização / processo de M&A poderá contribuir para levar a cabo um atempado diagnóstico da situação atual da empresa, mitigar riscos (conhecendo eventuais “passivos / responsabilidades” desconhecidas da gestão) ou apenas melhorar procedimentos, permitindo ainda, e não menos importante, a identificação de oportunidades no imediato e estruturar oportunidades no médio e longo prazo. Estas operações valorizam o futuro, mas acima de tudo potenciam o presente.