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Deloitte Gen Z and Millennial Survey 2024

Seis em cada dez jovens vivem de salário em salário e o aumento do custo de vida é uma das principais preocupações, releva estudo da Deloitte

  • O aumento do custo de vida é a principal preocupação dos jovens portugueses, a que soma a apreensão com desemprego, instabilidade política, alterações climáticas e saúde mental.
  • A Geração Z e a Geração Millennial continua a escrutinar o papel que as organizações desempenham na sociedade: em Portugal, apenas 40% dos inquiridos da Geração Z e 50% dos Millennials acredita que as empresas estão a criar um impacto positivo na comunidade.
  • Em Portugal, a utilização de GenAI é uma prática frequente em ambiente de trabalho: a esmagadora maioria acredita que esta tecnologia permite poupar tempo e melhorar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
  • A sustentabilidade ambiental continua a orientar as decisões de carreira e os comportamentos dos jovens: 17% da Geração Z e 18% dos Millennials portugueses já mudaram de emprego devido à falta de alinhamento com os seus valores ambientais.
  • Melhorar a saúde mental no local de trabalho é uma prioridade: excesso de carga horária, falta de tempo para cumprir todas as tarefas e falta de reconhecimento profissional contribuem para sentimentos de ansiedade e stress.

LISBOA, 5 de agosto de 2024 – Pelo terceiro ano consecutivo, o custo de vida mantém-se como o principal motivo de preocupação entre a Geração Z e Millennials em Portugal. Nestas faixas etárias, 47% da Geração Z e 50% dos Millennials admitem dificuldades em suportar os gastos do dia a dia face aos custos atuais.

A conclusão é do Deloitte Gen Z and Millennial Survey 2024, estudo conduzido com jovens de todo o mundo, incluindo Portugal, da Geração Z e Millennial, em que a Deloitte explora a forma como as circunstâncias em evolução moldam o local de trabalho e as experiências sociais destas gerações. Para além do custo de vida, os portugueses destas gerações destacam ainda preocupações com o desemprego, a instabilidade política, as alterações climáticas e a saúde mental.

Numa perspetiva global, seis em cada dez jovens (56% na Geração Z e 55% nos Millennials) admitem viver de salário em salário – um aumento de cinco e três pontos percentuais respetivamente, desde o ano passado. E cerca de três em cada dez afirmam não se sentirem financeiramente seguros. No entanto, o estudo indica que existe um otimismo moderado quanto à possibilidade de as circunstâncias melhorarem. São cada vez mais os inquiridos a acreditar que a sua situação financeira pessoal irá melhorar espaço de um ano: são 48% da Geração Z e 40% dos Millennials que assim o afirmam, face a 44% e 35% no estudo anterior, respetivamente. Em Portugal os números registam um aumento ainda mais expressivo: na edição de 2023, 48% da Geração Z e 30% dos Millennials esperavam ver a sua situação financeira melhorar no próximo ano. Na edição deste ano, são 56% e 44%, respetivamente.

O propósito empresarial influencia fortemente a satisfação profissional

Cerca de nove em cada dez jovens (86% da Geração Z e 89% da Geração Millennial) afirma que ter um sentido de propósito no seu trabalho é importante para a satisfação profissional e bem-estar geral, em linha com o verificado em Portugal. Há muito que as gerações mais jovens afirmam valorizar o trabalho orientado para um propósito e, nesta edição, essa perceção persiste.

Metade da Geração Z (50%) e quatro em cada dez Millennials (43%) já rejeitaram uma tarefa ou projeto com base na sua ética ou crenças pessoais. Quase o mesmo número (44% da Geração Z e 40% dos Millennials) recusou um empregador pelas mesmas razões, o que demonstra como é importante para as organizações não só definir e comunicar um objetivo claro, mas também ouvir e responder ativamente aos seus colaboradores para garantir que os valores do empregador e de toda a equipa se mantêm alinhados.

Este aspeto é também importante para os jovens portugueses, com 82% da Geração Z e 75% dos Millennials a afirmar que o seu emprego atual lhes dá um sentido de propósito. Da mesma forma, mais de metade dos inquiridos afirma estar satisfeito com o alinhamento dos valores e objetivos da sua organização atual com os seus próprios valores e objetivos: 68% da Geração Z e 70% dos Millennials.
No entanto, os jovens mostram-se menos positivos no que diz respeito ao impacto social das empresas em geral. Menos de metade da Geração Z (49%) e dos Millennials (47%) acredita que as empresas estão a ter um impacto positivo na sociedade, com números ainda mais baixos em Portugal: 40% da Geração Z e 34% dos Millennials. Estes números revelam um fosso entre o que os jovens consideram que as empresas são capazes de fazer e o que estão realmente a fazer – existindo amplas oportunidades para as empresas contribuírem positivamente para diversos desafios sociais. Cerca de seis em cada dez jovens destas gerações acreditam que as empresas têm a oportunidade, por exemplo, de proteger o ambiente (65% da Geração Z e 68% dos Millennials), de ajudar a garantir que tecnologias como a GenAI são utilizadas de forma ética (65% da Geração Z e dos Millennials) ou de influenciar a igualdade social (63% da Geração Z e dos Millennials).

As perceções positivas da GenAI aumentam com a experiência prática

A inteligência artificial generativa (GenAI) surge também como grande tendência no estudo deste ano.
Embora a principal emoção que a Geração Z e os Millennials referem sentir quando pensam na GenAI seja a incerteza, o entusiasmo e o fascínio vêm logo a seguir. No caso português observa-se uma diferença nas duas gerações: no caso da Geração Z, o sentimento mais usado para descrever a GenAI é a incerteza (33%), seguida do fascínio (21%) e entusiasmo (21%); os Millennials, após a incerteza (33%) referem sentir confusão (18%) e ansiedade (16%).

No entanto, as perceções positivas da tecnologia aumentam com mais experiência prática. Atualmente, cerca de um quarto da Geração Z (26%) e dos Millennials (22%) utilizam o GenAI no trabalho o tempo todo ou a maior parte do tempo, o que é demonstrativo do crescente impacto desta tecnologia.

Em Portugal, 10% da Geração Z e 9% dos Millennials dizem utilizar frequentemente a GenAI no trabalho.
Destes, a esmagadora maioria acredita que esta tecnologia lhes permitirá poupar tempo e melhorar o seu equilíbrio entre a vida profissional e pessoal (64% da Geração Z e 52% dos Millennials) e libertar tempo para tarefas mais criativas e estratégicas (82% da Geração Z e 88% dos Millennials).

Apesar dos benefícios, há ainda um caminho por percorrer pelas empresas na capacitação das equipas na utilização desta tecnologia. Menos de metade dos jovens portugueses (43% da Geração Z e 31% dos Millenials) afirma que a sua entidade laboral está a formar suficientemente os trabalhadores sobre as capacidades, os benefícios e o valor da GenAI.

A sustentabilidade ambiental continua a orientar as decisões de carreira e os comportamentos dos consumidores

A maioria dos jovens de ambas as gerações revela tomar medidas efetivas para minimizar o seu impacto no ambiente (73% da Geração Z e 77% dos Millennials). E 79% da Geração Z e 81% dos Millennials consideram que as empresas podem e devem fazer mais para permitir que os consumidores tomem decisões mais sustentáveis – com números ainda mais altos em Portugal (90% da Geração Z e 83% dos Millennials).

A proteção do ambiente é o desafio social em que os inquiridos consideram que as empresas têm a maior oportunidade e a influência necessária para promover a mudança – e os jovens estão a pressionar as empresas a fazê-lo através das suas decisões de carreira e dos seus comportamentos de consumo. Em Portugal, por exemplo, 17% da Geração Z e 18% dos Millennials já mudaram de emprego para se alinhar com os seus valores ambientais, e, 18% e 17%, respetivamente, planeia fazê-lo no futuro.

Melhorar a saúde mental no local de trabalho é uma prioridade para os jovens

Apenas cerca de metade da Geração Z (51%) e dos Millennials (56%) classificam a sua saúde mental como boa ou extremamente boa. E, embora os níveis de stress tenham melhorado ligeiramente desde o ano passado, continuam a ser elevados, com 40% da Geração Z e 35% dos Millennials a afirmarem que se sentem stressados sempre ou na maior parte do tempo.
Em Portugal, os números são ligeiramente mais altos: 53% da Geração Z e 42% dos Millennials afirma sentir-se stressados sempre ou na maior parte do tempo, com fatores como a sua situação pessoal financeira a longo prazo, a saúde e bem-estar da sua família ou a gestão das finanças no dia-a-dia a contribuírem para essa ansiedade.

Em particular, 47% da Geração Z e 40% dos Millennials em Portugal afirmaram que o seu trabalho é um fator que contribui muito para os seus sentimentos de ansiedade ou stress. Os três principais aspetos que contribuem para estes sentimentos são: excesso de carga horária, falta de tempo para cumprir todas as tarefas e falta de reconhecimento profissional.

No entanto, revelam existir espaço para melhorias quando se trata de falar abertamente sobre a saúde mental no trabalho. Cerca de metade dos inquiridos afirma que o seu empregador encara de forma séria a saúde mental dos colaboradores (56% da Geração Z e 47% dos Millennials portugueses), e 57% da geração Z e 55% dos Millennials afirma que se sentiria confortável a falar com o seu superior sobre sentir-se stressado, ansioso ou outros desafios de saúde mental.

Metodologia

O estudo da Deloitte reflete as respostas de 14.468 Geração Z e 8.373 Millennials (22.841 inquiridos no total), de 44 países da América do Norte, América Latina, Europa Ocidental, Europa de Leste, Médio Oriente, África e Ásia-Pacífico incluindo 400 de Portugal, 200 da Geração Z e 200 Millennials. O inquérito foi realizado através de uma entrevista na internet de autopreenchimento. O trabalho de campo foi concluído entre 24 de novembro de 2023 e 11 de março de 2024.

O estudo inclui citações dos inquiridos que responderam a perguntas abertas do inquérito. Estas citações são atribuídas aos inquiridos por geração, género e localização. O relatório representa uma vasta gama de inquiridos, desde os que ocupam cargos executivos em grandes organizações a outros que estão a participar na economia GIG, que fazem trabalho não remunerado ou estão desempregados. Além disso, os inquiridos incluem estudantes que concluíram ou estão a obter diplomas, aqueles que que concluíram ou planeiam concluir estudos profissionais e outros que estão no ensino secundário e que podem ou não prosseguir estudos superiores.

Tal como definido no estudo, os inquiridos da Geração Z nasceram entre janeiro de 1995 e dezembro de 2005, e os inquiridos da geração do milénio nasceram entre janeiro de 1983 e dezembro de 1994.

Pode encontrar o Deloitte Gen Z and Millennial Survey 2024 neste link.