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Estudo da Deloitte revela que a maioria das organizações aumentou os investimentos na área da sustentabilidade apesar do cenário mundial de incerteza.

  • 75% dos executivos C-level afirmam que aumentaram os investimentos na área da sustentabilidade em 2022, quase 20% dos quais de forma significativa;
  • Quase todos os entrevistados indicam que os efeitos das alterações climáticas impactaram de alguma forma as suas organizações;
  • Dificuldade em medir o impacto ambiental e o custo das estratégias de sustentabilidade são as principais barreiras para a ação climática, de acordo com os executivos C-level.

LISBOA, 26 de abril de 2023 — Os líderes executivos C-Level (CxOs) consideram que a mudança climática deverá ser uma prioridade para as organizações, mesmo perante o contexto mundial de incerteza. Quando desafiados a listar as preocupações mais prementes nas suas organizações, a larga maioria dos CxOs classificaram a mudança climática como um dos três principais desafios, à frente de temas como a inovação, talento e dificuldades na cadeia de abastecimento, revela o estudo CxO Sustainability 2023 da Deloitte.

No inquérito realizado junto de mais de 2000 CxOs em 24 países, 75% dos inquiridos revelaram que as suas organizações aumentaram os investimentos na área da sustentabilidade no ano passado, com quase 20% dos quais a afirmar que o fizeram de forma significativa. O CxO Sustainability Report da Deloitte avalia anualmente as preocupações e ações dos líderes empresariais C-level no que diz respeito às ações climáticas e de sustentabilidade, identificando ainda as principais recomendações para que as organizações possam atingir as metas propostas nesta área.

Afonso Arnaldo, Partner e Sustainability and Climate practice leader da Deloitte, refere que “apesar dos desafios complexos que os líderes das empresas enfrentaram no último ano, como a incerteza económica, conflito geopolítico ou interrupções na cadeia de logística, as alterações climáticas surgem como preocupação principal. Perante estas conclusões, os líderes mundiais devem unir esforços para, coletivamente, gerar um impacto positivo e mensurável para a sustentabilidade do planeta. Este caminho exige um esforço adicional para cumprir as metas já definidas, mas permitirá garantir uma transição justa em prol do futuro do planeta.”

Otimismo mantém-se apesar da maior preocupação com as alterações climáticas
A quase totalidade dos CxOs entrevistados afirmaram que a sua organização sentiu de alguma forma o impacto das alterações climáticas no ano passado. Os CxOs relatam a escassez e custo acrescido dos recursos como o principal problema que afeta as organizações (46%), enquanto 45% dos inquiridos destacaram uma mudança nos padrões e preferências de consumo associada às mudanças climáticas. Por outro lado, 43% apontaram a regulamentação das emissões como outro dos principais problemas que afetam as empresas. Adicionalmente, cerca de um terço dos executivos C-level afirmou que as questões climáticas estão a afetar negativamente a saúde física (37%) e mental (32%) dos colaboradores.

Além do impacto nos negócios e relação com stakeholders, 82% dos CxOs disseram ter sido pessoalmente afetados por eventos climáticos no ano passado, sendo o calor extremo o problema mais citado. Do total dos inquiridos, 62% confessaram sentirem-se preocupados com as mudanças climáticas sempre ou na maior parte do tempo.

Apesar das preocupações reveladas no estudo, 78% dos líderes estão otimistas de que a sociedade irá tomar as medidas necessárias para evitar os piores efeitos das alterações climáticas e 84% concordam que as metas climáticas podem ser atingidas ao mesmo tempo que se mantém um crescimento económico global sustentado.

Corresponder às expectativas dos stakeholders

O estudo da Deloitte mostra que as organizações se sentem cada vez mais pressionadas pelos stakeholders para serem verdadeiros agentes de mudança no tema das alterações climáticas. Sessenta e oito por cento dos CxOs disseram sentir-se muito ou moderadamente pressionados por parte de membros do conselho de administração, reguladores e governo e consumidores e clientes. Paralelamente, as organizações estão gradualmente a sentir uma pressão crescente por parte dos acionistas e investidores (66%), funcionários (64%) e sociedade civil (64%).

O ativismo por parte dos colaboradores está também a impor mais trabalho na área da sustentabilidade. Mais da metade dos CxOs ouvidos afirmam que a pressão dos colaboradores nas questões climáticas conduziu a um aumento das ações de sustentabilidade no ano passado. A regulação tem também tido um impacto crescente: 65% dos CxOs dizem que as alterações aos quadros regulatórios levou a um aumento das ações climáticas em 2022.

À semelhança da última edição do estudo, os CxOs elegeram o reconhecimento e a reputação de marca, a satisfação do cliente e o bem-estar dos colaboradores como três dos principais benefícios dos investimentos na área da sustentabilidade. Estes dados sugerem que muitos CxOs veem as ações climáticas como uma forma de fortalecer relações com os stakeholders. No polo oposto, vários CxOs entrevistados continuam a ter dificuldades em definir as vantagens financeiras a longo prazo dos investimentos feitos na área da sustentabilidade.

A ação climática continua, os desafios mantêm-se

As organizações estão a agir: 59% afirmam utilizar materiais mais sustentáveis, mesma percentagem dos que testemunham terem aumentado a eficiência energética, 50% estão a proporcionar aos colaboradores formações na área das alterações climáticas e 49% estão a desenvolver novos produtos ou serviços ecológicos. Segundo o estudo, os CxOs estão também a intensificar os esforços de adaptação às alterações climáticas: 43% estão a remodelar ou, inclusivamente, a realocar as instalações da organização por forma a torná-las mais resistentes às mudanças, 40% estão a contratar seguros contra riscos climáticos extremos e 36% estão a oferecer suporte financeiro a colaboradores que sejam afetados por condições climáticas extremas.

Quando questionados sobre o compromisso em enfrentar as alterações climáticas, apenas 29% dos CxOs acreditam que o setor privado está realmente empenhado na mudança. Quase um quarto dos CxOs afirmou que a dificuldade em medir o impacto ambiental da sua organização é a principal barreira ao reforço do combate às alterações climáticas, e quase um quinto mencionou como dificuldade o investimento e o foco em objetivos de curto prazo.

O estudo da Deloitte sugere ainda que os CxOs acreditam que as organizações e a economia global podem continuar a crescer, sem que isso tenha impacto nas metas climáticas e na redução das emissões de gases com efeito estufa.

Para mais informações leia o estudo na íntegra aqui.

Metodologia

O estudo tem por base um inquérito conduzido com 2.016 executivos de C-level. O inquérito, conduzido pela KS&R Inc. e Deloitte, entre setembro e outubro de 2022, entrevistou executivos de 24 países: 48% da Europa/ Médio Oriente/África do Sul; 28% das Américas; e 24% da Ásia-Pacífico. Os principais setores estão representados na amostra. Adicionalmente, a KS&R e a Deloitte conduziram entrevistas individuais selecionadas com líderes globais.