Os bancos brasileiros pretendem investir cerca de R$ 3 bilhões em Inteligência Artificial, Analytics e Big Data neste ano, um aumento de 8% em relação a 2025, proporcionando o aumento da eficiência de suas operações, o uso da inteligência para análise de dados, redução do tempo de resposta para os clientes e melhoria no atendimento, além do aumento na detecção e prevenção a fraudes. Os novos dados constam da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, divulgados hoje (25) no Febraban Tech, principal evento de tecnologia e inovação do setor financeiro, que neste ano tem como tema “Agentes Inteligentes, liderança humana”.
Já os investimentos de migração para Cloud (nuvem) devem chegar a R$ 3,9 bilhões em 2026, com expressivo aumento de 30%. Com isso, os bancos consolidam os alicerces da próxima etapa da evolução tecnológica, permitindo que as instituições ganhem mais inovações em seus produtos e soluções bancárias.
O levantamento foi realizado pela consultoria Deloitte, organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mundo.
O total a ser gasto em IA e soluções de dados compõe o total de R$ 50 bilhões previstos para investimentos em tecnologia pelos bancos em 2026, conforme divulgado em junho na primeira etapa da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária e que pode ser acessada neste link.
Com as tecnologias emergentes ganhando cada vez mais relevância, os bancos também buscam ampliar seus investimentos na formação de competências especializadas e em conteúdos de maior profundidade às diferentes áreas das instituições. Segundo a pesquisa, R$ 29,4 milhões é o valor previsto para investimentos em treinamento e capacitação de profissionais em Inteligência Artificial e Inteligência Artificial Generativa (GenAI) neste ano, representando um aumento de 31%.
Os dados divulgados mostram também que R$ 100,4 milhões foi o total investido pelos bancos em treinamentos de tecnologia para seus profissionais no último ano e 226,1 mil foi o número de profissionais treinados em tecnologia no setor bancário. Já os treinamentos de tecnologia para os profissionais de TI dos bancos somaram R$ 61,9 milhões.
“Os investimentos dos bancos em IA, Analytics, Big Data e Cloud demonstram o compromisso do setor com inovação, eficiência e segurança. Essas tecnologias aceleram a transformação digital e ampliam o uso inteligente dos dados. Mas o diferencial está nas pessoas: capacitar profissionais é essencial para aplicar essas ferramentas com responsabilidade e gerar valor real para clientes e instituições”, afirma Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária.
De acordo com a pesquisa, 42% dos bancos consultados pretendem ampliar o número de profissionais na área de TI, correspondendo a um crescimento médio de 22%. Em média, 11% dos profissionais dos bancos já são da área de TI.
Ainda segundo o levantamento, os 5 profissionais de tecnologia mais demandados pelas instituições bancárias em 2025 foram: desenvolvedor de software, engenheiro de IA, engenheiro de dados, arquiteto corporativo e engenheiro de DevOps.
Cibersegurança
A relevância da cibersegurança no setor bancário reforça seu papel como prioridade estratégica. De acordo com a pesquisa, 58% das instituições já contam com pelo menos um profissional especialista em cibersegurança no conselho de administração.
E hoje, a colaboração operacional é realidade para a grande maioria das instituições: 88% dos bancos contam com integração consolidada entre as áreas de cibersegurança, prevenção a fraudes e prevenção à lavagem de dinheiro (PLD), atuando de forma conjunta na resposta a incidentes (40%) e no compartilhamento direto de informações entre as equipes (36%).
Os investimentos em segurança também priorizam a proteção ativa ao cliente e à infraestrutura corporativa. Entre as prioridades voltadas aos clientes, destacam-se:
E o setor também já prepara seus ambientes tecnológicos para a chegada da computação quântica: 71% dos bancos consideram que a tecnologia será de alta relevância no curto ou médio prazo, tendo como tema prioritário a criptografia e a segurança pós-quântica.
“A cibersegurança é um eixo central e prioritário da agenda tecnológica dos bancos e avança de forma integrada às estratégias de prevenção a fraudes e proteção dos clientes. A presença de especialistas no conselho de administração, a atuação conjunta entre áreas críticas e o uso de tecnologias como autenticação multifator, biometria comportamental, inteligência artificial e monitoramento preditivo mostram que o setor está preparado para responder a ameaças cada vez mais sofisticadas e para fortalecer a confiança no ambiente digital”, afirma Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.
Inteligência Artificial e IA Generativa
A inteligência artificial e os agentes de IA generativa começam a ampliar seu escopo de atuação no setor bancário, expandindo-se das atividades operacionais para funções diretamente conectadas à geração de valor e ao relacionamento com o cliente.
Os dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 mostram que as instituições financeiras já reconhecem benefícios relevantes associados à adoção da IA:
92% dos bancos apontam o aumento da velocidade na execução de tarefas rotineiras como o principal valor percebido da aplicação da tecnologia;
52% destacam benefícios como redução do tempo de resposta aos clientes, redução de custos e maior eficiência na análise de dados;
48% identificam ganhos na detecção e prevenção de fraudes.
No campo dos agentes inteligentes de IA, as principais aplicações mapeadas estão concentradas em:
Mais resultados
70% dos bancos já têm ou estão desenvolvendo estratégias de requalificação profissional
84% das instituições utilizam IA e GenAI em infraestruturas de TI
33% dos bancos oferecem a funcionalidade de gestão/agregador financeiro. Em 2025, o número de usuários dessa funcionalidade avançou 31%, alcançando 2,15 milhões de clientes
Para 92% dos bancos consultados, o Open Finance é uma oportunidade para se obter acesso a dados financeiros; aprimorar campanhas direcionadas aos clientes (85%) e ser mais competitivo nas ofertas (69%)
Em 2025, cerca de 24 milhões de clientes realizaram transações nos marketplaces dos bancos, movimentando um volume médio de vendas efetivadas de quase R$ 20 milhões
91% dos bancos oferecem pelo menos uma cotação de seguro em canais digitais; no ano anterior, esse percentual era de 71%
“Os resultados da pesquisa mostram que o setor bancário brasileiro entra em uma nova fase da transformação digital, marcada pela convergência entre Data & AI, GenAI, Cloud e Cyber. Esses investimentos promovem ganhos de eficiência operacional e o fortalecimento da resiliência das instituições, criando as bases para novas formas de relacionamento, personalização e geração de valor para os clientes. O desafio agora não é apenas adotar novas tecnologias, mas integrá-las à estratégia de negócios para acelerar a captura de valor, ampliar a capacidade de inovação e viabilizar novos modelos de crescimento sustentável”, afirma Sergio Biagini, sócio-líder de Banking & Capital Markets da Deloitte.