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Sustentabilidade como pilar de transformação para o mercado imobiliário brasileiro

Setor avança em sustentabilidade, impulsionado por certificações e inovações que fortalecem essa agenda, mesmo diante de desafios como regulamentações e custos no país

Por Fernanda Tauffenbach, sócia de Infraestrutura & Capital Projects na Deloitte Brasil

Prédios abastecidos com energia solar, garagens equipadas para veículos elétricos, sistemas de iluminação de baixo consumo, materiais sustentáveis utilizados na construção dos empreendimentos, incorporação de áreas verdes nos projetos: esses são apenas alguns exemplos das iniciativas adotadas pelo setor imobiliário brasileiro para tornar seus empreendimentos mais alinhados às práticas ambientais e consolidar a sustentabilidade como elemento central nas estratégias de lançamento. Nos últimos anos, observa-se um esforço crescente das empresas em investir nessas frentes, posicionando a sustentabilidade não apenas como diferencial competitivo, mas como parte fundamental da transformação do mercado.

Esse movimento reflete não apenas o atendimento a requisitos regulatórios ou a demandas do mercado financeiro para obtenção de crédito e investimento, mas também corresponde a uma expectativa crescente da sociedade por práticas mais responsáveis e sustentáveis. Dados da pesquisa Gen Z and Millennial Survey 2025, realizada pela Deloitte, mostram que 72% dos entrevistados identificados como integrantes da “geração Z” aceitariam pagar mais para adquirir produtos ou serviços mais sustentáveis, número acima do registrado na pesquisa global (65%). Entre os “millenials”, a diferença é ainda maior: 74% dos respondentes brasileiros pagariam a mais por um produto sustentável – o que pode incluir os lançamentos imobiliários – ante 63% das respostas globais.

Resultados semelhantes foram apontados no Wealth Report 2025, da consultoria imobiliária especializada Knight Frank. De acordo com o levantamento, 75% dos jovens investidores preferem pagar mais por produtos ambientalmente responsáveis; 53% dão prioridade a imóveis certificados como verdes, e 48% buscam empreendimentos que contem com geração própria de energia.

Como uma das indústrias que mais consome energia, o setor imobiliário assume papel central na transição energética e na implementação de práticas sustentáveis. Apesar disso, o Brasil ainda precisa amadurecer seus avanços nessa frente em comparação com outros países, especialmente europeus. 

De um lado, há o desafio da própria regulamentação e de como as exigências de sustentabilidade devem ser cumpridas e, especialmente, monitoradas. À medida que o mercado aumenta a oferta de investimento para empreendimentos verdes, é preciso que se aumente, no mesmo passo, a fiscalização para o cumprimento desses requisitos. 

A obtenção de certificações sustentáveis é um passo importante para que discurso e prática caminhem juntos em direção à maturidade do setor. Além disso, há uma questão de custos envolvidos nesses projetos, e é necessário mudar a forma como se enxerga o investimento em novas soluções. Sabe-se que a automação e o uso de ferramentas como gêmeo digital para manutenção preditiva, em seu fim, vão levar à economia de recursos ou à eficiência energética, por exemplo. Para se chegar a esse estágio, entretanto, é preciso vencer a primeira barreira do custo da implantação. 

O setor imobiliário brasileiro tem condições de acelerar sua jornada sustentável e capturar valor em um mercado em plena expansão. Em um setor cada vez mais competitivo e desafiador, quem conseguir combinar conformidade regulatória com as expectativas dos consumidores e investidores conquistará vantagem em relação a seus concorrentes. Mais do que isso, quem se destacar em implementar práticas sustentáveis hoje vai pavimentar o caminho do mercado futuro, consolidando a sustentabilidade como estratégia de crescimento no setor imobiliário. 

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