Prédios abastecidos com energia solar, garagens equipadas para veículos elétricos, sistemas de iluminação de baixo consumo, materiais sustentáveis utilizados na construção dos empreendimentos, incorporação de áreas verdes nos projetos: esses são apenas alguns exemplos das iniciativas adotadas pelo setor imobiliário brasileiro para tornar seus empreendimentos mais alinhados às práticas ambientais e consolidar a sustentabilidade como elemento central nas estratégias de lançamento. Nos últimos anos, observa-se um esforço crescente das empresas em investir nessas frentes, posicionando a sustentabilidade não apenas como diferencial competitivo, mas como parte fundamental da transformação do mercado.
Esse movimento reflete não apenas o atendimento a requisitos regulatórios ou a demandas do mercado financeiro para obtenção de crédito e investimento, mas também corresponde a uma expectativa crescente da sociedade por práticas mais responsáveis e sustentáveis. Dados da pesquisa Gen Z and Millennial Survey 2025, realizada pela Deloitte, mostram que 72% dos entrevistados identificados como integrantes da “geração Z” aceitariam pagar mais para adquirir produtos ou serviços mais sustentáveis, número acima do registrado na pesquisa global (65%). Entre os “millenials”, a diferença é ainda maior: 74% dos respondentes brasileiros pagariam a mais por um produto sustentável – o que pode incluir os lançamentos imobiliários – ante 63% das respostas globais.
Resultados semelhantes foram apontados no Wealth Report 2025, da consultoria imobiliária especializada Knight Frank. De acordo com o levantamento, 75% dos jovens investidores preferem pagar mais por produtos ambientalmente responsáveis; 53% dão prioridade a imóveis certificados como verdes, e 48% buscam empreendimentos que contem com geração própria de energia.
Como uma das indústrias que mais consome energia, o setor imobiliário assume papel central na transição energética e na implementação de práticas sustentáveis. Apesar disso, o Brasil ainda precisa amadurecer seus avanços nessa frente em comparação com outros países, especialmente europeus.
De um lado, há o desafio da própria regulamentação e de como as exigências de sustentabilidade devem ser cumpridas e, especialmente, monitoradas. À medida que o mercado aumenta a oferta de investimento para empreendimentos verdes, é preciso que se aumente, no mesmo passo, a fiscalização para o cumprimento desses requisitos.
A obtenção de certificações sustentáveis é um passo importante para que discurso e prática caminhem juntos em direção à maturidade do setor. Além disso, há uma questão de custos envolvidos nesses projetos, e é necessário mudar a forma como se enxerga o investimento em novas soluções. Sabe-se que a automação e o uso de ferramentas como gêmeo digital para manutenção preditiva, em seu fim, vão levar à economia de recursos ou à eficiência energética, por exemplo. Para se chegar a esse estágio, entretanto, é preciso vencer a primeira barreira do custo da implantação.
O setor imobiliário brasileiro tem condições de acelerar sua jornada sustentável e capturar valor em um mercado em plena expansão. Em um setor cada vez mais competitivo e desafiador, quem conseguir combinar conformidade regulatória com as expectativas dos consumidores e investidores conquistará vantagem em relação a seus concorrentes. Mais do que isso, quem se destacar em implementar práticas sustentáveis hoje vai pavimentar o caminho do mercado futuro, consolidando a sustentabilidade como estratégia de crescimento no setor imobiliário.