Em sua 15ª edição, a pesquisa global da Deloitte mostra que as gerações Z e millennial buscam avançar em seus próprios termos, priorizando estabilidade, desenvolvimento de habilidades e bem-estar em vez de um crescimento acelerado.
As gerações Z e millennial querem construir bases duradouras antes de tomar decisões que definem suas trajetórias. Elas buscam estabilidade antes de assumir compromissos mais amplos e equilibram ambição com a necessidade de uma carga de trabalho sustentável, apoio claro e caminhos viáveis para o sucesso. Ao fazerem escolhas, priorizam o que é sustentável – e não apenas performático –, alinhando decisões de vida a condições realistas, em vez de seguir cronogramas tradicionais.
As restrições financeiras tornaram-se um fator determinante na forma como essas gerações trabalham, vivem e planejam o futuro. Mais da metade dos Gen Z (55%) e dos millennials (52%) afirma estar adiando decisões importantes de vida – como casamento, formação de família ou de um negócio e continuidade dos estudos – em função de sua situação financeira. Além disso, a maioria aponta que a disponibilidade e a acessibilidade de moradia têm impacto direto nas decisões de carreira e nos locais onde podem trabalhar. Apesar dessas pressões, muitos demonstram otimismo em relação à melhora de sua condição financeira ao longo do próximo ano.
As gerações Z e millennial estão fazendo escolhas de carreira que priorizam a aderência de longo prazo, em vez de avanços rápidos no curto prazo.
Apenas 25% da geração Z e 21% dos millennials preferem uma progressão acelerada na carreira, marcada por promoções rápidas. Em contrapartida, a maioria favorece um crescimento mais gradual ou está disposta a realizar movimentos laterais para construir experiências que sustentem o sucesso no longo prazo. O interesse por posições de liderança é amplo, mas não imediato, já que muitos associam esses cargos a possíveis impactos no bem-estar.
Em linha com os resultados do ano passado, apenas 6% das gerações Z e millennial afirmam que alcançar uma posição de liderança é seu principal objetivo profissional.
Quase três em cada quatro profissionais das gerações Z (74%) e millennial (74%) já incorporam a inteligência artificial, em algum nível, às suas rotinas de trabalho. De forma geral, essas gerações enxergam a disseminação da IA como um acelerador – e não como uma ameaça –, esperando que a tecnologia ajude a liberar tempo, aumentar a produtividade, abrir novos caminhos de desenvolvimento e criar mais oportunidades para profissionais em início de carreira. Ainda assim, muitos apontam que estão se adaptando à IA em um ritmo mais acelerado do que o das próprias organizações.
Com a aproximação da aposentadoria das gerações mais experientes, as organizações enfrentam riscos crescentes relacionados à continuidade do conhecimento. Ao mesmo tempo, a geração Alpha deve começar a ingressar no mercado de trabalho nos próximos anos, levando líderes a encarar esse movimento como um desafio de liderança e de desenho do trabalho. O contexto reforça a importância de preservar o conhecimento institucional, enquanto se criam funções que desenvolvam, de forma intencional, julgamento humano, influência e colaboração em um ambiente de trabalho cada vez mais apoiado por inteligência artificial.