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Como líderes tributários podem apoiar as organizações a atingirem suas metas ESG

Sustentabilidade é um tema dominante nos negócios, e os temas fiscais desempenham um papel crítico

Pesquisa global da Deloitte revela que as áreas fiscais estão apoiando ativamente as iniciativas de sustentabilidade de suas empresas por meio de relatórios de conformidade e ESG. No entanto, para continuar acompanhando as demandas de sustentabilidade, executivos e executivas entendem que é necessário maior especialização e suporte consultivo relacionado ao tema.

Em entrevista com 335 líderes fiscais do mundo todo, a Deloitte descobriu que, embora as áreas tributárias estejam apoiando suas organizações por meio de compliance e relatórios ESG, elas podem fazer ainda mais para acelerar suas metas de sustentabilidade. Estudo global da Deloitte fornece cinco etapas para que os líderes tributários possam otimizar o desempenho sobre o tema em seus negócios.

Cinco etapas para otimizar o desempenho dos negócios em relação à sustentabilidade

Compliance e reportes são operações críticas para a área tributária, mas as lideranças também devem destacar a possível disponibilidade de incentivos fiscais, de oportunidades de economia e de demais benefícios relacionados à sustentabilidade que podem surgir. Os impostos podem, ainda, auxiliar a liderança empresarial a entender o impacto tributário das mudanças relacionadas ao tema nas cadeias de suprimentos, nos modelos de negócios, nas fusões e aquisições (M&A) e em outras mudanças estratégicas que possam considerar. 

Nesse contexto, a função fiscal precisará apoiar as empresas a entenderem quais são as implicações tributárias dos novos processos e tecnologias relacionadas à ESG. Também pode ser útil que os especialistas da área estejam conectados às equipes de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), a fim de ajudar na avaliação da disponibilidade de subsídios, que acontece no início do processo de desenvolvimento de um produto.

O lugar ideal para iniciar uma conversa mais profunda

Na pesquisa, 89% dos entrevistados indicaram que suas empresas designaram um diretor de sustentabilidade (CSO) e 72% indicaram que já trabalham em colaboração com um CSO.

Para muitas empresas, atingir metas agressivas em relação às mudança climática pode significar transformações fundamentais nas operações. Como sempre, essas transformações terão consequências fiscais e é importante lembrar aos líderes de negócios que as mudanças na cadeia de suprimentos relacionadas à sustentabilidade deverão considerar a propriedade intelectual (PI), os preços de transferência, o VAT (imposto que corresponde ao ICMS no Brasil) e os impactos alfandegários.

Outras considerações:

  • Se estiver operando em várias jurisdições, prepare-se para atuar com um cenário tributário ambiental cada vez mais complexo conforme mais regulamentações e impostos são introduzidos;
  • Monitore tendências como a função do financiamento verde (green finance) e os créditos de carbono, e busque por novas oportunidades;
  • Esteja atento aos impostos ambientais e de carbono;

Quando se trata de mudanças na cadeia de valor da organização, é importante aconselhar os líderes empresariais sobre os riscos – e como navegar por eles –, mas também deve-se destacar as oportunidades que podem surgir por meio de créditos e incentivos fiscais e que podem agregar valor ao negócio.

Em ESG, a área que aparenta se mover mais rapidamente em relação aos impostos é a de governança. Na pesquisa da Deloitte, por exemplo, os líderes fiscais e financeiros foram questionados sobre quais iniciativas eram mais importantes para sua capacidade de fornecer visibilidade e governança tributária sólida – a conformidade com os requisitos regulatórios para governança ficou no topo da lista.

Conforme surgem novas exigências relacionadas às políticas e aos relatórios fiscais, o departamento tributário pode estabelecer indicadores-chave de desempenho (KPIs) precisos e capazes de facilitar divulgações e relatórios transparentes. Os líderes fiscais também devem ficar atentos ao lado de fora de sua empresa, para que possam colaborar e se envolver proativamente com formuladores de políticas, colegas e reguladores da política tributária.

Com um ponto de vista diferenciado, o departamento tributário é capaz de contribuir com uma perspectiva ampla e estratégica, além de avaliar o avanço das metas de sustentabilidade em toda a empresa. 

Dependendo do setor da sua organização, a sustentabilidade exigirá novas demandas referente aos profissionais da função tributária, requisitando habilidades desde impostos indiretos e preços de transferência até avaliação do impacto de novas tecnologias de redução de carbono, modelagem de cenários potenciais e análise de políticas governamentais.

Nessa pesquisa da Deloitte, líderes fiscais forneceram informações sobre os fatores que poderiam ajudar a elevar o ponto de vista tributário nas conversas sobre sustentabilidade, e as respostam incluem “maior colaboração/comunicação dentro da organização” e “mais recursos/informações”.

As habilidades comportamentais de comunicação e de construção de casos empresariais serão fundamentais para trabalhar de forma próxima aos negócios. Para acessar os recursos necessários para atender às demandas crescentes nas consultorias relacionadas a ESG, os líderes fiscais devem considerar: a qualificação e a diversificação das funções em suas equipes, a aquisição de novos talentos, o aumento da automação e a terceirização.

O termo ESG ilustra mais uma razão pela qual a transformação do departamento tributário é uma ação necessária – o foco em transparência e os recursos necessários para apoiar as iniciativas em ESG fornecem incentivos para liberar recursos utilizando tecnologias digitais e inteligência artificial (IA), automatizando tarefas operacionais como atividades de conformidade e processos de arquivamento.

Conforme as lideranças tributárias revisitam seus modelos operacionais, criando a competência necessária para realizar as atividades de consultoria e compliance relacionadas a ESG, haverá um esclarecimento sobre o papel da função e como ela fará a interface com os negócios nessas questões. O tema “sustentabilidade” abrange diversos aspectos das empresas e, por vezes, o tratamento dos impostos pode estar além do encargo tradicional da função tributária, sendo tratados pelas áreas de Recursos Humanos (RH) e folha de pagamento, por exemplo.

Sendo assim, é preciso estabelecer claramente quem são as pessoas responsáveis pelas questões ESG – que podem variar de impostos sobre embalagens plásticas à questões de salário-mínimo – e garantir que elas tenham a supervisão adequada em áreas onde não possui uma rotina de controle diária.

Levando o departamento fiscal para um nível superior

 

Em um futuro não muito distante, as medidas de sustentabilidade começarão a permear todos os aspectos dos negócios.

Nossa pesquisa constatou que, embora muitos executivos e executivas sintam que estão no controle das questões de sustentabilidade atuais, outros afirmam que é necessário uma especialização e um suporte consultivo relacionado ao tema ESG. Com mais mudanças previstas, os líderes precisam ter uma compreensão ampla e evolutiva das áreas de sustentabilidade, possibilitando se distinguir e criar valor para os negócios.

Os líderes fiscais – que ajudaram, desde o início, a incorporar os impostos nas estratégias de negócios e nas decisões financeiras – estão se tornando cada vez mais valiosos e indispensáveis para as empresas. Aqueles que não estão preparados para as conversas em torno do tema ESG, podem estar deixando de lucrar.

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