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Empresas familiares devem registrar forte crescimento e quase dobrar receita até 2030, aponta estudo da Deloitte

  • Primeiro volume da série de relatórios sobre negócios familiares destaca crescimento, apesar das incertezas econômicas;
  • Globalmente, empresas familiares correspondem a cerca de 22% de todas as empresas com receitas anuais acima de US$ 100 milhões;
  • Espera-se que a receita anual das empresas familiares aumente 84% entre 2020 e 2030, superando o crescimento projetado de 59% das empresas não-familiares;
  • Número de empresas familiares deve crescer 22% entre 2020 e 2030 em todo o mundo;
  • O investimento em tecnologia, especialmente em inteligência artificial (IA), tem se destacado como uma das principais estratégias de crescimento adotadas pelas empresas familiares em todo o mundo;
  • Segundo o estudo, 40% dessas organizações estão intensificando seus aportes relacionados a tecnologia globalmente, enquanto no Brasil esse índice alcança 43%.

Com o relatório “Defining the Family Business Landscape” a Deloitte dá início à série de estudos “Family Business Insights”, que busca revelar como as empresas familiares estão se transformando para impulsionar o crescimento sustentável e de longo prazo. A pesquisa, que contou com a participação de 1.587 empresas familiares em 36 países, das quais 101 são brasileiras, além de entrevistas detalhadas com 30 executivos seniores, analisa como essas organizações estão enfrentando o cenário de mercado atual por meio da inovação, da expansão estratégica e da renovação de suas lideranças. 

“As empresas familiares são uma força importante na economia e a pesquisa da Deloitte mostra que elas estão escalando a inovação, expandindo além das fronteiras e repensando sua atuação para se manterem competitivas.”, diz Paulo de Tarso, sócio-líder da Deloitte Private Program e do programa Empresas com Melhor Gestão.

Tamanho e influência crescentes
As empresas familiares representam, globalmente, 22% de todas as empresas com receitas anuais superiores a US$ 100 milhões, ou cerca de uma em cada cinco dessas companhias. Esse número, que atualmente representa 18.087 empresas e era de pouco mais de 16 mil em 2020, deve subir para 19.744 até 2030, o que representa um aumento de 22% em dez anos. A contribuição econômica das empresas familiares também está aumentando, com projeção de que a receita total suba 84%, de aproximadamente US$ 16 trilhões em 2020 para US$ 29 trilhões em 2030 – superando o crescimento esperado de 59% entre as empresas não familiares. Hoje, a receita das empresas familiares é de US$ 21 trilhões. 

Esse panorama de crescimento se desenrola apesar de um cenário de incerteza econômica – apontado pelas empresas familiares, tanto no cenário global (68%) quanto no brasileiro (59%), como seu principal risco externo, observando que isso atrasa seus principais investimentos empresariais e iniciativas de crescimento, e 70% das empresas globais (73% no Brasil) relatando que acreditam que cenário tarifário impactará negativamente a economia ou seus negócios. 

Entre outros fatores externos apontados como riscos para os negócios brasileiros estão as ameaças cibernéticas (57%), o custo de matérias-primas (56%) e o risco de ser ultrapassado pelo rápido avanço da tecnologia (56%).

Tecnologia e diversificação estratégica impulsionam crescimento e resiliência
Para impulsionar o crescimento e fortalecer a resiliência, as empresas familiares têm intensificado os investimentos em tecnologia e na diversificação de seus negócios. Segundo a pesquisa, 40% das organizações globais e 43% das brasileiras apontam o investimento em tecnologia — incluindo inteligência artificial — como uma das principais estratégias para aprimorar a eficiência operacional, reduzir custos e expandir suas iniciativas empresariais. Além disso, a implementação de IA ou outras soluções baseadas em tecnologia é a estratégia utilizada por 48% das empresas brasileiras para mitigar riscos, enquanto globalmente esse número reduz para 42%. 

Dentre as outras estratégias para o crescimento, 36% das empresas globais estão focadas em diversificar suas fontes de receita por meio do lançamento de novos produtos e serviços, com o objetivo de ampliar sua presença no mercado e garantir maior sustentabilidade a longo prazo. No cenário brasileiro, os investimentos têm se concentrado especialmente no fortalecimento do reconhecimento de marca e no posicionamento estratégico (44%), e no desenvolvimento de parcerias ou alianças estratégicas (41%).

Para financiar essas prioridades de crescimento, as parcerias estratégicas ou joint ventures despontam como a principal estratégia de financiamento escolhida pelas empresas brasileiras. Atualmente, 52% delas utilizam essa abordagem para alavancar o crescimento, percentual que, globalmente, é de 42%. Nos próximos 1 a 2 anos, a mesma estratégia continuará ser a principal escolha por 52% das empresas brasileiras.  

Embora a maior parte da receita das empresas familiares ainda seja proveniente do mercado local, muitas estão diversificando e expandindo suas operações internacionalmente. A Europa desponta como o principal destino para essa expansão global, com mais da metade das empresas (51%) planejando ampliar seus negócios na região nos próximos 24 meses. A América do Norte (48%) e a Ásia-Pacífico (40%) também aparecem como mercados estratégicos para o crescimento de curto prazo. 

Entre as empresas brasileiras, a aposta de investimento internacional, tanto no curto quanto no longo prazo, está concentrada em mercados vizinhos. A América do Sul e a América Central são mencionadas por 60% dos entrevistados como as regiões de crescimento econômico mais promissoras no curto prazo, e por 58% no longo prazo.

“A globalização, o ambiente econômico favorável e o avanço acelerado da tecnologia têm levado as empresas familiares a uma fase de crescimento robusto e sustentável, ainda que em um cenário de incertezas. Diante desse contexto, torna-se essencial investir em gestão de riscos e planejamento estratégico. Por isso, as empresas familiares estão apostando cada vez mais na profissionalização de suas equipes, na diversificação de suas operações e na aceleração da adoção de novas tecnologias”, destaca Paulo de Tarso.

Sucessão e novos formatos de gestão são desafios na gestão das empresas familiares 

Considerando o horizonte dos próximos 3 a 5 anos, 26% das empresas familiares globais e 37% das brasileiras planejam atrair investidores externos ou fundos de private equity para seus negócios. Além disso, 19% das empresas globais e 14% das brasileiras esperam ampliar a participação da gestão não familiar. 

Em relação à abertura de capital, 12% das empresas familiares globais e 14% das brasileiras têm esse plano. A venda do negócio, por sua vez, é considerada por apenas 3% das empresas globais e 2% das brasileiras.

Embora diversos fatores influenciem essas decisões relacionadas à propriedade e à gestão, um ponto de destaque mencionado pelos líderes entrevistados foi a transferência de riqueza entre gerações. Como quase três quartos das empresas familiares pesquisadas estão em sua primeira (27% das globais e 31% das brasileiras) ou segunda geração (45% das globais e 41% das brasileiras), essa transição geracional tende a ter um impacto significativo no futuro desses negócios.

“O universo de empresas familiares é dinâmico e tem grande potencial de atravessar fronteiras. A chave para o sucesso contínuo reside na capacidade de planejar sucessões com eficácia e investir no desenvolvimento de habilidades de liderança dos sucessores, por meio de programas, formação acadêmica relevante e experiência prática dentro da empresa. O programa Empresas com Melhor Gestão (Best Managed Companies) da Deloitte, por exemplo, tem exatamente esse objetivo de impulsionar negócios por meio das melhores práticas de gestão, oferecendo visão especializada, benchmarking e conexão com o ecossistema de empresas familiares para alavancar a excelência destas empresas e oferecer todas as ferramentas que podem sustentar a governança e uma transição bem-sucedida para as futuras gerações”, finaliza Paulo de Tarso.

Metodologia
 O relatório global “Defining the Family Business” é o estudo inaugural da série Family Business Insights. Para a pesquisa, a Deloitte entrevistou 1.587 empresas familiares em todo o mundo, sendo 101 delas no Brasil, entre março e junho de 2025, capturando perspectivas de empresas com receita anual média de US$ 2,8 bilhões. O relatório também inclui entrevistas detalhadas com 30 executivos seniores de empresas familiares de destaque, que ofereceram insights qualitativos sobre as estratégias e práticas que impulsionam o sucesso a longo prazo. 

Jeffrey Group

Assessoria de Imprensa

deloitte@jeffreygriup.com