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Empresas de bens de consumo adotam agentes de IA, buscam novos mercados e investem em maior especialização e melhor custo-benefício, aponta pesquisa da Deloitte

  • Nove em cada dez executivos de empresas globais de bens de consumo entrevistados pelo estudo 2026 Consumer Products Industry Global Outlook afirmaram que devem implementar agentes de IA e/ou sistemas autônomos dentro dos próximos 12 meses;
  • Com o cenário geopolítico global mais fragmentado e instável, 70% dos entrevistados planejam crescer em novos mercados – o que pode inserir o Brasil, caso haja condições atrativas, e trazer oportunidades para impulsionar a economia do País;
  • Além disso, 74% das empresas preveem relocalizar a produção; e 68%, revisar o portfólio;
  • Para 75% dos respondentes, a busca dos consumidores por uma maior percepção de valor (custo-benefício) não é passageira e constitui uma mudança estrutural no mercado – inclusive no perfil de alta renda.

A indústria global de bens de consumo entrou em 2026 sob uma combinação de pressões estruturais que desafiam os modelos tradicionais de crescimento. A aceleração do uso da inteligência artificial (IA) e de seus agentes, o ambiente geopolítico instável e a mudança na percepção de valor dos consumidores estão levando empresas a rever portfólios, estruturas e estratégias de expansão, conforme analisa o estudo 2026 Consumer Products Industry Global Outlook, da Deloitte, que ouviu 300 executivos de grandes empresas globais de bens de consumo dos segmentos de alimentos e bebidas, bens domésticos e cuidados pessoais.

O levantamento aponta que a disseminação de agentes de IA traz uma nova dinâmica de consumo. Na pesquisa, 92% dos executivos entrevistados afirmaram que devem implementar agentes de IA e/ou sistemas autônomos para executar funções ou processos essenciais nos próximos 12 meses. Do outro lado, consumidores começam a adotar agentes digitais para pesquisar e comprar produtos.

“Temos um ambiente de ‘agentic commerce’, em que os agentes intermedeiam transações e tomam decisões tanto do lado da oferta quanto da demanda. Isso exige repensar a forma como os produtos são apresentados; preparar dados e informações para serem lidos por agentes de IA; personalizar ofertas com base em dados integrados ao varejo; e reposicionar o marketing para atuar também junto aos agentes”, afirma Paulo de Tarso, sócio-líder para a Indústria de Consumo da Deloitte.

Os executivos do setor buscam implementar avanços tecnológicos para expandir os negócios com ganhos de produtividade e eficiência: para 76% deles, a transformação digital deixou de ser opcional para competir no setor. Já a simplificação organizacional aparece como prioridade para 74% das empresas, refletindo a necessidade de decisões mais rápidas e da adoção plena de tecnologias como a IA. Quase metade dos entrevistados afirmou que já possui vários processos totalmente automatizados, e 39% projetam que agentes de IA eventualmente farão parte de seus processos de tomada de decisão na liderança execcutiva ou nos conselhos de adiminstração.

O ambiente geopolítico mais fragmentado também impõe mudanças. A desglobalização e a instabilidade comercial levaram todas as empresas consultadas afirmar que planejam ajustes estratégicos, o que inclui relocalizar a produção (74%) e revisar o portfólio (68%). Além disso, sete em cada dez executivos buscam crescer em novos mercados, fora de suas regiões tradicionais, reforçando a necessidade de estruturas mais ágeis e adaptáveis. “Esse cenário favorece quem puder se mover rapidamente, trazendo um diferencial competitivo. Além disso, o interesse por novos mercados pode inserir o Brasil nos planos de empresas globais, caso haja condições atrativas, trazendo oportunidades para impulsionar a economia”, diz Paulo de Tarso.

Novos hábitos, novas estratégias

As empresas estão mais sensíveis à busca do consumidor por melhorar a relação custo-benefício de suas compras. Na pesquisa, 60% dos entrevistados reconhecem que até mesmo os perfis de alta renda consideram esse critério importante. Três a cada quatro executivos acreditam que a maior valorização desse atributo não é passageira: trata-se de uma mudança estrutural no consumo. Frente a isso, 77% dos respondentes afirmam que os investimentos em inovação se concentrarão em produtos atrativos para o consumidor que persegue um bom custo-benefício, enquanto 68% projetam ampliar a presença em canais orientados a essa percepção de valor.

As empresas de bens de consumo passam por uma transição, com menos interesse em ampliar a presença em mercados multisetores e maior interesse em simplificar portfólios e se especializar em categorias-chave e de alto crescimento. Mais da metade dos executivos está preparada para desinvestir linhas de baixo desempenho, enquanto 55% indicam que o ano de 2026 será de volume de aquisições acima da média em categorias de maior especialização e alto crescimento. Ao mesmo tempo, as joint ventures são consideradas por dois em cada três entrevistados como forma de testar mercados e inovar com menor risco.

Na pesquisa, três em cada quatro entrevistados afirmaram que há uma mudança na relação tradicional entre empresas de bens de consumo e varejistas. Grandes varejistas estão ampliando marcas próprias e fortalecendo sua posição por meio do domínio de dados de consumidores. Dessa forma, 79% dos executivos das empresas de bens de consumo entrevistadas afirmam esperar que o equilíbrio de poder se desloque para os varejistas nos próximos dois a três anos. Ainda assim, 86% relatam êxito em colaborações com esses varejistas, por exemplo, no compartilhamento de dados e no desenvolvimento de inovação e de planejamento de negócios conjuntos.

“O contexto é de reconfiguração profunda para o setor de bens de consumo, marcado pela necessidade de preparação para um ambiente cada vez mais mediado pela IA e seus agentes. A busca de foco, simplificação e colaboração estratégica também serão diferenciais competitivos fundamentais para as empresas, à medida que decisões forem tomadas em ecossistemas baseados em dados e interações automatizadas conseguirem entregar mais valor aos consumidores”, conclui Paulo de Tarso.

Jeffrey Group

Assessoria de Imprensa

deloitte@jeffreygroup.com