Para impulsionar a retenção e monetizar o engajamento dos fãs, detentores de fandoms consolidados podem oferecer, ao longo de todo o ano, conteúdos sociais, experiências de compra e experiências exclusivas em seus próprios ambientes.
Há públicos – e há fãs. Os fãs representam um segmento de consumidores que busca relações consistentes e de longo prazo com as propriedades intelectuais, artistas, equipes e franquias que admiram. Os fãs estão dispostos a transitar entre formatos, plataformas e experiências tanto em grandes momentos (estreias de grandes filmes, eventos esportivos ao vivo, lançamentos de videogames e início de temporadas de séries) quanto durante a “entressafra”, em busca de uma continuidade que não encontram de outra forma. Esse comportamento pode sinalizar que a entressafra não é um período de baixa, mas sim uma oportunidade.
A pesquisa Tendências em mídias digitais deste ano (com base em um levantamento com 3.575 consumidores nos Estados Unidos) concentra-se em fãs autodeclarados – um subconjunto de consumidores que provavelmente representa o ativo mais valioso e duradouro da indústria.
Resumo dos principais destaques do estudo da Deloitte
A indústria de mídia e entretenimento segue em expansão, oferecendo múltiplos formatos e plataformas aos consumidores. Esse crescimento, porém, trouxe maior fragmentação e gestão simultânea de várias assinaturas.
Com mais concorrência, a atenção do público se dispersa entre diferentes serviços e conteúdos. Para enfrentar esse cenário, empresas ampliam seus portfólios com podcasts, vídeos sociais, chats, games e comércio eletrônico.
O maior engajamento em um único ecossistema pode gerar mais receita, elevar o consumo e reduzir o churn.
Os fãs demonstram alto nível de conexão e engajamento, dedicando tempo contínuo aos seus fandoms além dos lançamentos principais. Entretanto, muitos provedores de conteúdo ainda concentram o marketing apenas em estreias, temporadas e eventos pontuais. Para fãs sempre ativos, esses momentos não sustentam o engajamento ao longo do tempo.
Após os lançamentos, o público migra para outros espaços que oferecem comunidade, interação e experiências ampliadas. Essa lacuna se revela sobretudo na descoberta de conteúdos, fortemente impulsionada pelas redes sociais, especialmente entre a geração Z.
As empresas de mídia não precisam controlar todos os pontos de contato, mas devem coordená-los de forma integrada.
Experiências modulares – próprias ou de terceiros – podem ser incorporadas ao redor do conteúdo e das IPs para fortalecer o engajamento.
Essa orquestração atende à demanda dos fãs, já que 40% gostariam de acessar todo o conteúdo relacionado a uma IP em um único ambiente.
A IA generativa pode acelerar a produção de conteúdos, viabilizar experiências personalizadas e conectar interações fragmentadas em ecossistemas mais coesos.
Seu diferencial está nos ciclos de feedback em tempo real, permitindo testes, refinamentos e otimizações contínuas de engajamento.
Parte relevante dos fãs aceita conteúdos criados por IA, desde que identificados, especialmente para sustentar o interesse na entressafra.
Há forte demanda por resumos e compilações personalizadas – tanto em entretenimento quanto em esportes – adaptadas aos interesses individuais dos fãs.
Integrar IA generativa em plataformas próprias permite ampliar o uso das IPs com mais segurança, mantendo controle e captura de valor.
Apesar de exigir investimentos, o retorno é elevado devido à longevidade do engajamento dos fãs.
Cabe às empresas decidir quão próximas querem estar dos fãs e quanto valor desejam gerar nessas relações contínuas.