Skip to main content

IA entra em fase de escala enquanto papel estratégico avança nas empresas; mercado brasileiro se destaca, aponta Deloitte

  •  Pesquisa “State of AI in the Enterprise” coloca o Brasil entre os países onde empresas mais empregam a inteligência artificial (IA) para promover mudanças estruturais – 42% dos entrevistados no Brasil apontaram esse objetivo; a proporção global é de 34%;
  • Globalmente, 85% das organizações permitem o uso da IA para pelo menos 20% dos profissionais; proporção é semelhante no Brasil (82%);
  • Escala é o desafio atual: só um quarto das empresas no mundo e no Brasil já conseguiram avançar com 40% ou mais de seus projetos piloto de IA;
  • Quase a totalidade das organizações das amostras global e brasileira (97% e 95%, respectivamente) planeja adotar IA Agêntica em até dois anos; atualmente, porém, só 21% dos negócios globais e 27% no Brasil afirmam ter modelos de governança maduros. 

A inteligência artificial deixa a fase de experimentação para se consolidar como elemento central da operação de empresas ao redor do mundo. O Brasil acompanha esse movimento. É o que revela a edição 2026 do relatório global “State of AI in the Enterprise”, do AI Institute da Deloitte, organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mercado. O estudo contou com a participação de mais de 3 mil executivos de 24 países, incluindo 115 brasileiros. 

Os ganhos de produtividade proporcionados pela IA já são amplamente reconhecidos. Agora, uma parcela considerável das organizações demonstra empregar a tecnologia em busca de transformar os negócios: globalmente, 34% das empresas a utilizam para promover mudanças estruturais. Esse índice é maior entre as empresas brasileiras — 42% relatam empregar IA de forma transformadora, sugerindo uso mais estratégico da tecnologia.

Os dados da pesquisa reforçam o destaque do Brasil na aplicação da IA em frentes estratégicas. Ao serem questionados sobre quais áreas têm sido mais impactadas pela tecnologia, 59% dos respondentes brasileiros apontaram a melhoria na tomada de decisões e na geração de insights a partir de dados — acima da média global, de 53%. Além disso, 44% destacaram avanços no relacionamento com clientes, frente a 38% no cenário internacional.

Embora ainda sejam poucas as empresas que percebem aumento de receitas diretamente associado ao uso de IA — 22% no Brasil e 20% globalmente —, as expectativas para os próximos anos são significativamente otimistas. Entre os brasileiros, 87% acreditam que a IA impulsionará o crescimento da receita, percentual superior à média global, de 74%.

“No Brasil, as empresas também estão numa jornada de implementação de inteligência artificial e GenAI. Muitos já entenderam que a tecnologia deve ser parte da estratégia e da transformação dos negócios. O desafio, agora, é escalar os pilotos atuais com cases com resultados concretos”, afirma Jefferson Denti, Chief Disruption Officer da Deloitte.

Em todo o mundo, 85% das organizações já autorizam o uso de IA para pelo menos 20% de seus profissionais. No Brasil, o cenário é semelhante, com 82% das empresas. “As proporções indicam um movimento de liberação do uso da IA em conjunto com a percepção de valor gerado, de forma estruturada e gradual. Em vez de uma adoção ampla e irrestrita, as empresas vêm ampliando o acesso de maneira escalonada, começando por áreas prioritárias ou funções específicas, testando governança e modelos de uso, para então expandir a tecnologia de forma mais abrangente. Trata-se de uma estratégia que combina ambição com controle. É preciso aumentar a adoção, não somente o acesso as ferramentas.”, diz Jefferson Denti.

O levantamento também revela uma mudança significativa no papel da IA, que, de fonte de informação, passa a executar tarefas por meio de agentes autônomos. No mundo, 85% das empresas adotam pelo menos uma abordagem de personalização utilizando agentes de IA. No Brasil, a estratégia predominante consiste na customização de agentes em plataformas de nuvem em hiperescala, adotada por 55% das organizações, seguida pela utilização de agentes já prontos oferecidos por essas mesmas plataformas, prática adotada por 47% das empresas.

O desafio de avançar o projeto piloto para a larga escala 
Migrar projetos piloto de IA para uso em larga escala é o desafio atual dos negócios. Apenas 25% das empresas no mundo já aplicaram plenamente nos negócios 40% ou mais de seus experimentos em IA. Entre as organizações brasileiras, 58% afirmam que, no máximo, 20% de seus pilotos foram implementados, enquanto apenas 23% conseguiram escalar 40% ou mais.

Ainda assim, há expectativa de aceleração: 54% dos líderes globais — e 49% dos brasileiros — esperam levar ao menos 40% de seus experimentos à operação nos próximos três a seis meses. O estudo indica que comunicar uma estratégia clara de IA é essencial para ajudar a transformar experimentação em impacto real.

O impacto da IA generativa já começa a ser percebido como transformador por 25% dos executivos no mundo — mais que o dobro do registrado pela pesquisa no ano anterior. No Brasil, 28% dos líderes relatam efeitos transformadores. O país também apresenta um cenário relativamente mais maduro na revisão de processos: 30% das empresas redesenham fluxos críticos em torno da IA, enquanto o uso superficial é menor no Brasil (27%) do que na média global (37%).

Governança ainda não acompanha o avanço da IA Agêntica
A maioria das organizações das amostras global e brasileira (97% e 95%, respectivamente) planeja adotar a IA Agêntica em até dois anos; mas, atualmente, só 21% dos negócios globais e 27% no Brasil afirmam ter modelos de governança maduros. “Estamos vendo uma corrida pela adoção da IA Agêntica, mas a governança ainda não evolui na mesma velocidade. Agentes ampliam autonomia e capacidade de execução, o que eleva também o nível de responsabilidade das organizações. Não se trata apenas de tecnologia, mas de estrutura, critérios de decisão e clareza sobre limites. As empresas que avançarem de forma progressiva, testando casos de menor risco e fortalecendo seus modelos de controle, terão mais condições de capturar valor com segurança e sustentabilidade” ressalta o executivo.

Soberania digital e IA física ganham relevância
Questões relacionadas à soberania tecnológica passam a ocupar posição estratégica nas decisões corporativas. Globalmente, 77% das organizações consideram o país de origem ao selecionar fornecedores de IA, refletindo preocupações com segurança, regulação e resiliência operacional. Além disso, 67% afirmam que ao menos 41% de seus stacks — conjuntos de serviços e ferramentas utilizados na criação e execução de aplicações — são compostos por soluções de fornecedores externos.

No recorte brasileiro, 73% das organizações também avaliam a origem das tecnologias adotadas: 39% analisam esse fator em conjunto com outros critérios estratégicos, 24% demonstram preferência ativa por soluções de determinados países e 10% evitam ou restringem fornecedores específicos.

O uso da chamada IA física — aplicada a manufatura, logística e operações industriais — também avança tanto globalmente como no Brasil: 57% dos respondentes no mundo e 58% no país afirmam já utilizar esse tipo de tecnologia. No entanto, a maior parte ainda está em estágio inicial de maturidade. Entre as empresas brasileiras, 47% relatam adoção mínima, 10%, adoção moderada, e apenas 1%, adoção avançada.

A tendência, porém, é de aceleração. A expectativa é que a IA física esteja presente em 80% das organizações globalmente e em 82% das brasileiras, nos próximos dois anos, impulsionando uma nova onda de automação industrial e integração entre sistemas digitais e operações físicas.

O estudo reforça que a vantagem competitiva trazida pela adoção da IA dependerá menos de experimentação isolada e mais da capacidade de escalar soluções, integrar pessoas e tecnologia com governança robusta. “A discussão sobre IA já não é apenas tecnológica, é estratégica, econômica e principalmente sobre dados. Modernização de dados, governança e requalificação dos profissionais será fundamental para o sucesso das iniciativas de IA e para reimaginar o negócio do futuro”, conclui Denti.

Metodologia
Realizada entre agosto e setembro de 2025, a pesquisa contou com a participação de 3.235 líderes de negócios e TI, sendo 115 brasileiros. São executivos que representam seis setores econômicos: consumo; energia, recursos e indústrias; serviços financeiros; ciências da vida e saúde; tecnologia, mídia e telecomunicações; e governo e serviços públicos.

Jeffrey Group

Assessoria de Imprensa

deloitte@jeffreygroup.com