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Estudo da Deloitte projeta aumento de 73% no volume de créditos não performados (NPL) a serem cedidos em 2026

  • Estimativa de crescimento nas cessões reforça continuidade no ciclo de expansão observado desde o fim da pandemia;
  • Projeção é de que o volume cedido atinja R$ 52,3 bilhões; em 2025, o montante total cedido entre os respondentes foi de R$ 30,2 bilhões;
  • Novas normas regulatórias ainda não impactam de forma relevante volume de cessões, mas empresas já incorporam efeitos em seus planejamentos;
  • Entre os cessionários, setores de utilities e serviços ganham espaço entre os mais propensos a recorrerem ao mercado secundário de NPL.

O volume cedido no mercado de créditos não performados (NPL) ficou em linha com o esperado em 2025, enquanto se projeta um crescimento de 73% em 2026, reforçando a continuidade do ciclo de expansão da cessão de crédito visto a partir de 2022, com o fim da pandemia. É o que mostra o estudo “Mercado de Cessão de Créditos – Ciclo 2025/2026” da Deloitte.

O estudo – que foi realizado entre novembro/2025 e janeiro/2026 e contou com 63 participantes, sendo 37 cedentes e 26 cessionários – indica crescimento da oferta de cessão de crédito por parte dos cedentes e, também, apetite para aquisição destes ativos por parte dos cessionários nos próximos dois anos, revelando um cenário de expansão das negociações. 

“O Sistema Financeiro Nacional brasileiro (SFN) ultrapassou a marca de R$ 7 trilhões em saldo total da carteira em dezembro de 2025, segundo dados do Banco Central, um crescimento de 10% no ano. Esse desempenho evidencia a resiliência do mercado de crédito, mesmo diante de condições mais restritivas, como o cenário econômico mais desafiador e o aumento do endividamento e da inadimplência, e reforça que há espaço para crescimento. Neste cenário, cada vez mais a gestão ativa de portfólios torna-se fundamental para mitigar riscos e otimizar a alocação de recursos”, afirma Ricardo Marin, sócio de SR&T da Deloitte.

Percepção dos cedentes

O estudo revelou a maturidade no planejamento das transações: na pesquisa de 2024, o valor estimado para a venda de ativos NPL em 2025 foi de R$ 30,8 bilhões e o valor efetivamente vendido pelos cedentes foi de R$ 30,2 bilhões. Para 2026, a projeção é de que o volume cedido atinja R$ 52,3 bilhões.

No entanto, 51% das empresas participantes do estudo informaram que não cederam algum portfólio levado a mercado, principalmente devido à diferença entre o preço estimado e o valor ofertado, apontada como a principal barreira para a não-efetivação da venda. “Nesse contexto, uma melhor calendarização e maior estruturação dos processos de venda podem contribuir para mitigar o desalinhamento de preço. Embora ainda pouco adotado, o earn out também poderia ser uma alternativa”, comenta Marin.

O estudo também analisou os desafios relacionados à recuperação de crédito entre os cedentes. Além do crescimento do nível de endividamento no país, apontado por 80% dos participantes como o principal desafio, os respondentes também citaram a dificuldade de adequação da capacidade de pagamento do devedor em relação ao perfil da dívida (56%) e o patamar atual da taxa básica de juros (44%).

Em relação à prescrição de dívidas, a recuperação dos créditos foi principalmente impactada pela menor disposição dos clientes em negociar, fator citado por 38% dos respondentes, seguida pela percepção de redução na recuperação (23%). Já do lado do processo da cessão de créditos, 32% das empresas apontaram a resistência dos investidores à aquisição de créditos com atraso superior a cinco anos como o principal impacto percebido.

Vista como um possível fator de impacto na cessão de carteiras NPL, a Resolução 4966/21 influenciou a decisão de 60% das instituições em algum grau – de “fator decisivo” para 19% dos respondentes a “pouca influência” para outros 11%. No entanto, 41% das empresas disseram ainda não ter percebido alterações relevantes na frequência ou no volume de cessões. 

“Para 2026, mais de seis em cada dez cedentes não preveem alterações relevantes na frequência ou volume de cessões em decorrência da Resolução. Cerca de 22% preveem ajustes de volume especialmente devido à incompatibilidade de preço em relação ao PDD (provisão para devedores duvidosos), pois o potencial desconto exigido pelo mercado poderia incorrer em perdas adicionais”, explica Marin.

A Lei 14.467/22, que estabelece novas regras tributárias para a dedução de perdas no recebimento de créditos, também já começa a mostrar efeito sobre os respondentes – 81% deles já incorporaram o tema ao planejamento de 2026, indicando que a lei terá um efeito em suas estratégias de cessão.Para os próximos dois anos, o foco da venda de carteiras dos cedentes deve se manter nos créditos de varejo massificado e sem garantia e single names. Mais de 40% dos participantes do estudo também planejam ceder créditos adimplentes nos próximos anos, priorizando os de varejo sem garantia (67%), seguido por consignado (42%).

Percepção dos cessionários

Entre os cessionários participantes do estudo a expectativa também é de um cenário de expansão. Ainda que em 2025 o valor efetivamente investido em NPL tenha ficado abaixo do previsto (somando R$ 4 bilhões, ante projeção de R$ 5,2 bi), 77% dos respondentes esperam investir montante superior em 2026 e 2027, chegando a R$ 6 bilhões neste ano e R$ 7,5 bilhões no próximo em valor estimado para investimentos. 

“Outro ponto de destaque foi um aumento na quantidade de processos de novos cedentes, o que indica uma maior procura das empresas por esse mercado e, também, a necessidade de os cessionários estarem estrategicamente preparados para poder absorver essa demanda crescente.

Quase 80% dos cessionários no perfil massificado, e 67% no perfil corporate revelaram, em suas respostas, que conduzem até quatro processos de precificação de forma simultânea, o que não só mostra como o mercado está aquecido, mas também como é essencial que os cedentes estejam atentos ao timing e profundidade dos dados disponibilizados em suas transações, de forma a otimizar os preços”, analisa Marin.

Para os anos de 2026 e 2027, os respondentes continuam apontando os setores de fintechs, financeiras, bancos e varejo como os mais propensos a recorrerem ao mercado secundário de NPL, mas preveem expansão da procura por segmentos como utilities e serviços.

“Essa expansão projetada revela uma maior oferta de ativos para outros setores além daqueles mais tradicionalmente consolidados no mercado de créditos não performados, o que intensifica a competição por investimentos. Isso só reforça cada vez mais a necessidade de planejamento adequado e estratégico dos processos de cessão”, conclui Marin.

Jeffrey Group

Assessoria de Imprensa

deloitte@jeffreygroup.com