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IA pode gerar US$ 200 bilhões em economia anual no setor de energia até 2030 e acelerar a transição energética global, projeta estudo da Deloitte

  •  Em menos de cinco anos, inteligência artificial pode viabilizar volume de economia de energia cerca de três vezes superior ao próprio consumo projetado;
  • Aplicações da tecnologia incluem otimização e controle do sistema elétrico, gestão do ciclo de vida de ativos e eficiência e gestão do consumo;
  • No Brasil, a adoção da IA já surge como catalisadora do uso de uma matriz limpa e sustentável.

A Inteligência Artificial (IA) tem potencial para transformar profundamente os sistemas de energia e ajudar o mundo a enfrentar desafios como aumento da demanda, pressões ambientais e necessidade de maior resiliência operacional. É o que revela o estudo global “AI for energy systems”, da Deloitte, que analisa ganhos expressivos de eficiência, redução de custos e diminuição de emissões a partir da adoção estratégica da tecnologia no setor energético.

Conforme o relatório, a incorporação da IA ao planejamento e às operações pode gerar economias superiores a US$ 200 bilhões por ano até 2030, alcançando quase US$ 500 bilhões anuais até 2050. No acumulado entre 2030 e 2050, os benefícios econômicos totais podem variar entre US$ 8,3 trilhões e US$ 11 trilhões.

“A Inteligência Artificial tem potencial para se tornar um vetor econômico central da transição energética. Estamos falando de ganhos estruturais de eficiência; a projeção de até US$ 11 trilhões em benefícios pode reduzir em até 5% o custo estimado da transição energética global, hoje próximo de US$ 200 trilhões, o que possibilita acelerar investimentos, ampliar a competitividade e tornar a descarbonização mais viável do ponto de vista financeiro”, analisa Guilherme Lockmann, sócio-líder para o segmento de Power, Utilities & Renewables da Deloitte.

No setor, as aplicações de IA podem ser realizadas em três frentes principais: otimização e controle do sistema elétrico, gestão do ciclo de vida de ativos e eficiência e gestão do uso final da energia. Na otimização e controle da rede, algoritmos avançados permitem balancear oferta e demanda em tempo real, reduzir perdas e integrar volumes crescentes de fontes renováveis intermitentes com mais segurança e estabilidade. Na gestão do ciclo de vida dos ativos, a manutenção preditiva baseada em dados antecipa falhas, prolonga a vida útil de equipamentos e reduz custos operacionais. Já na ponta do consumo, a IA analisa padrões de uso e ajusta processos industriais e sistemas prediais para maximizar a eficiência energética.

“Quando falamos em aplicações de IA no setor elétrico, estamos nos referindo a um processo profundo de reestruturação dos sistemas energéticos. A IA não se limita a otimizar tarefas específicas, trazendo uma revolução nos modelos de operação e gestão, tornando-os mais dinâmicos e adaptáveis às mudanças. O resultado dessa transformação é a criação de sistemas energéticos mais inteligentes, capazes de tomar decisões autônomas e eficientes, resilientes a falhas e imprevistos e alinhados com os desafios da transição para uma economia de baixo carbono”, afirma Tim Wiesel, sócio de Artificial Intelligence & Data da Deloitte.

Energia economizada pode chegar ao triplo do consumo projetado

A projeção é que, até 2030, a IA possa viabilizar uma redução de aproximadamente 2.700 a 3.700 TWh de economia de energia, volume cerca de três vezes superior ao próprio consumo projetado.

Até 2050, essa economia pode chegar a quase 12.000 TWh, o equivalente a 10% a 12% do consumo global de energia projetado em um cenário de emissões líquidas zero.

Em 2030, cerca de 60% dessas economias devem vir da indústria e do setor elétrico, somando entre 1.550 e 2.210 TWh. Em 2050, o setor elétrico tende a liderar os ganhos, com potencial de 3.540 a 4.530 TWh, representando aproximadamente 38% do total projetado.

A redução no consumo de energia se traduz em queda relevante nas emissões. Conforme o estudo, as economias viabilizadas pela IA podem resultar em cortes anuais de aproximadamente 660 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e) até 2030. À medida que os sistemas energéticos se tornem mais eficientes e menos intensivos em carbono, o impacto marginal anual tende a diminuir, ficando abaixo de 400 MtCO₂e até 2040 e se estabilizando em torno de 100 MtCO₂e até 2050.

Para que esse potencial se concretize, o relatório destaca a necessidade de atuação coordenada entre setores público e privado, de forma a superar desafios como o acesso a dados de qualidade, capacitação profissional, infraestrutura tecnológica e modelos adequados de governança. As empresas de energia e da indústria de manufatura são vistas como protagonistas na adoção da IA, ao priorizar dados de alta qualidade, cibersegurança e governança, além de investir em aplicações escaláveis com retorno rápido e impacto direto na resiliência operacional. Já as empresas de tecnologia têm papel central na inovação e na adaptação de soluções às necessidades do setor energético, especialmente por meio da integração com tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e gêmeos digitais. 

Além disso, as instituições financeiras aparecem como catalisadoras da escala, ao estruturar instrumentos como títulos verdes, financiamentos vinculados à sustentabilidade e modelos híbridos de capital para apoiar projetos de IA alinhados à eficiência energética e à integração à rede. “A Inteligência Artificial aplicada aos sistemas de energia surge como um elemento estratégico, ao aumentar a eficiência, reduzir riscos operacionais e melhorar a previsibilidade de resultados, fatores essenciais para atrair investidores e reduzir o custo do capital”, explica Luiz Paulo Assis, sócio de Infrastructure Advisory da Deloitte.

Já governos e formuladores de políticas públicas são chamados a criar um ambiente regulatório favorável, com padrões claros, compartilhamento seguro de dados, investimento em capacitação e marcos flexíveis que permitam inovação sem comprometer a segurança e a resiliência dos sistemas. O estudo defende que o desenvolvimento da IA no setor energético deve seguir princípios de ‘IA soberana’, com foco em transparência, responsabilização, fortalecimento de capacidades locais e proteção de dados sensíveis, garantindo soluções confiáveis e alinhadas ao interesse público. 

IA fortalece vocação brasileira para energia limpa e renovável

No Brasil, a integração da IA à infraestrutura energética fortalece a resiliência e acelera a descarbonização com ganhos econômicos concretos. O país já é visto globalmente como mercado-chave na agenda climática, graças à sua matriz majoritariamente renovável, à abundância de recursos naturais e ao potencial transformador do agronegócio. 

Para avançar, o país deve ampliar o acesso aos instrumentos inovadores de capital, fazer a estruturação adequada de projetos, promover segurança regulatória, além de consolidar no mercado o conhecimento técnico sobre essas oportunidades. “Mais uma vez, a atuação coordenada de investidores, empresas, governos e sociedade civil será essencial para criar um ecossistema robusto, que posicione o Brasil como protagonista de um sistema energético eficiente e de uma economia de baixo carbono ancorada em inovação, tecnologia e finanças sustentáveis”, conclui Guilherme Lockmann.

Jeffrey Group

Assessoria de Imprensa

deloitte@jeffreygroup.com