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Women @ Work 2025

Pesquisa global aponta os principais desafios das mulheres no mercado de trabalho

Estima-se que as mulheres representem 50,1% da população global em idade ativa, porém correspondem a apenas 40% do total de pessoas empregadas e a somente 35,4% dos cargos de gestão em todo o mundo, segundo dados da Internacional Labor. Então, o que as impede de ingressar e permanecer no mercado de trabalho – ou de avançar para posições de liderança? Como podemos aproveitar o potencial que as mulheres podem trazer para impulsionar o sucesso dos negócios?

Principais conclusões em destaque

Agora em seu quinto ano, a pesquisa Women @ Work ouviu 7.500 mulheres em ambientes de trabalho em 15 países, sendo 500 no Brasil. O resultado é uma visão global orientada por dados sobre as experiências das mulheres no trabalho – e sobre aspectos de suas vidas que podem influenciar suas experiências, como saúde e responsabilidades domésticas.

Saúde e bem-estar
  • Apenas cerca de metade das mulheres descreve sua saúde mental como boa, e quatro em cada dez afirmam conseguir se desligar do trabalho.
  • A maioria não se sente confortável em discutir ou revelar desafios relacionados à saúde mental no ambiente de trabalho, e quase 90% das respondentes acreditam que seus gestores teriam uma percepção negativa caso soubessem que elas estão enfrentando esse tipo de desafio.
  • Pouco menos de 60% das mulheres avaliam sua saúde física/bem-estar como bom ou extremamente bom. No entanto, cerca de um quarto (24%) das mulheres enfrenta desafios de saúde relacionados à menstruação, menopausa ou fertilidade. Para muitas delas, a experiência no trabalho envolve continuar trabalhando apesar de altos níveis de dor e sintomas, sem fazer uma pausa.
  • Entre aquelas que tiram folga, muitas não se sentem confortáveis em discutir esses desafios de saúde com seus gestores ou em revelar o motivo real da ausência. De fato, apenas cerca de uma em cada dez respondentes acredita que seu gestor saberia como reagir se ela falasse sobre desafios relacionados à saúde menstrual ou à menopausa.
  • Algumas mulheres conseguem acessar adaptações no ambiente de trabalho, como horários flexíveis ou outras formas de apoio por meio de benefícios corporativos de saúde. Por exemplo, 63% de todas as respondentes afirmam ter acesso a licença remunerada e suporte para acesso a cuidados em casos de parto prematuro.
Responsabilidades e cuidados domésticos
  • Mulheres que vivem com um parceiro concentram o maior nível de responsabilidade em casa no que diz respeito à limpeza, cuidado com crianças, cuidado com outros adultos, compras domésticas e gestão das finanças. Essa tendência se mantém inclusive para muitas das 36% dessas respondentes que são a principal fonte de renda do domicílio.
  • Pouco menos de quatro em cada dez respondentes afirmam que os benefícios oferecidos por suas organizações incluem licença remunerada para cuidadores ou flexibilidade para se ausentar do trabalho diante de responsabilidades inesperadas de cuidado.
  • No entanto, cerca de quatro em cada dez respondentes dizem estar preocupadas com o custo do cuidado de adultos ou crianças. Entre as mulheres que atualmente têm responsabilidades com cuidados infantis, menos de duas em cada dez afirmam ter acesso a serviços de cuidado acessíveis. Além disso, 16% das mulheres com responsabilidades de cuidado precisaram se ausentar do trabalho de forma inesperada no último ano devido a essas demandas.
  • O desafio de acesso ao cuidado está gerando uma oportunidade econômica perdida para as organizações. Estimativas baseadas nos dados da pesquisa e em informações públicas indicam que a falta de acesso a cuidados resulta em mais de 2 milhões de dias de trabalho perdidos anualmente, o que equivale a uma potencial oportunidade econômica não aproveitada de US$ 16,5 bilhões.
Fatores-chave de retenção no trabalho
  • Apenas 5% de todas as respondentes planejam permanecer em seu empregador atual por mais de cinco anos.
  • Para essas mulheres, as oportunidades de desenvolvimento de carreira (principal fator), a possibilidade de alcançar um equilíbrio positivo entre vida pessoal e profissional e a flexibilidade de horários, juntamente com um pacote competitivo de remuneração e benefícios, são os principais impulsionadores da retenção.
  • Seis em cada dez mulheres afirmam considerar muito importante que os empregadores ofereçam licença parental remunerada igualitária para ambos os responsáveis. No entanto, apenas 6% das respondentes dizem que seu empregador oferece licença parental igual para ambos. Além disso, apenas cerca de duas em cada dez mulheres com filhos menores de 18 anos afirmam que seu parceiro(a) tem acesso à flexibilidade no trabalho em sua empresa.
  • Esses fatores reaparecem ao analisar os motivos citados pela pequena parcela de respondentes que atualmente planeja deixar seu empregador (6%) ou que deixou uma empresa no último ano (9%).
Segurança pessoal e experiências de comportamentos não inclusivos
  • Um terço das mulheres está muito ou extremamente preocupado com sua segurança pessoal no trabalho, e cerca de uma em cada dez tem essas preocupações ao viajar a trabalho.
  • Quando questionadas sobre os motivos dessas preocupações, aproximadamente duas em cada dez mulheres afirmam já ter sofrido assédio no ambiente de trabalho por parte de um(a) colega; cerca de uma em cada dez relatam assédio durante viagens a trabalho; e 17% dizem ter sido assediadas ou feitas sentir desconforto por clientes ou consumidores.
  • Mais de um terço (34%) das mulheres afirma ter vivenciado comportamentos não inclusivos no trabalho no último ano, sendo as microagressões o tipo mais recorrente.
  • A maioria das mulheres que passou por comportamentos não inclusivos relatou o ocorrido a alguém no trabalho; no entanto, a probabilidade de denúncia varia conforme o tipo de comportamento vivenciado, assim como o nível de satisfação com as ações adotadas.
  • Apenas uma em cada dez respondentes acredita que alguma ação seria tomada caso denunciasse comportamentos não inclusivos no trabalho, independentemente da senioridade de quem os praticou.
Recorte Brasil

Embora muitos dos desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente de trabalho sejam compartilhados globalmente, a realidade brasileira se mostra mais crítica em temas como saúde mental, sobrecarga doméstica, segurança psicológica e flexibilidade.

No Brasil, esses elementos ganham ainda mais relevância, especialmente flexibilidade, oportunidades de crescimento e segurança física e psicológica.

Saúde mental

  • 34% das mulheres brasileiras avaliam seu bem-estar mental como ruim (global: 29%)
  • 40% relatam aumento do estresse em relação ao ano anterior (global: 36%)
  • Apenas 29% se sentem confortáveis em comunicar um problema de saúde mental aos gestores ao tirar folga (global: 39%)
  • 32% afirmam receber apoio adequado das empresas (global: 43%)
  • 47% apontam saúde mental como uma das principais inquietações pessoais (global: 44%)

Sobrecarga doméstica e de cuidados

  • 59% das mulheres que vivem com parceiro assumem a maior parte dos cuidados com crianças (global: 53%)
  • 54% cuidam majoritariamente de outros adultos (global: 52%)
  • Mesmo quando são a principal fonte de renda da família, 51% continuam arcando com a maior parte das tarefas domésticas (global: 54%)

Retenção, mobilidade e segurança

  • 49% das mulheres brasileiras pretendem permanecer no emprego atual por um a dois anos (global: 39%)
  • A falta de flexibilidade é um dos principais motivos para buscar uma nova oportunidade (37%, global: 27%)
  • Entre as que mudaram de emprego no último ano, o principal motivo foi remuneração e benefícios inadequados (27%, global: 19%)
  • 41% relataram ter sofrido microagressões no último ano (global: 28%)
  • 94% das mulheres que sofreram assédio sexual reportaram o caso à organização (global: 86%)

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