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Empresas buscam inovação e expansão e veem transformação tecnológica como alavanca para gerar valor, indica pesquisa da Deloitte com membros da alta liderança

  • 75% das lideranças das empresas participantes dizem adaptar seu modelo de negócios para atuar em ambientes competitivos;
  • Cerca de metade das organizações aposta na participação em hubs na busca por inovação;
  • Para 70% das lideranças das empresas, capacitar colaboradores é a principal estratégia para mitigar ameaças cibernéticas;
  • Desafios trazidos pela Reforma Tributária fazem com que 59% das organizações respondentes busquem consultoria especializada;
  • Organizações com faturamento acima de R$1 bi já estruturam sua jornada rumo ao net zero, enquanto 61% empresas de menor porte ainda não têm estrutura para zerar emissões.

As lideranças das empresas brasileiras estão, de modo geral, mais abertas para a inovação e a expansão, veem a transformação digital como uma alavanca de valor, monitoram de perto cenários e conflitos internacionais para gerenciar riscos e sentem que a falta de incentivos regulatórios é uma das principais barreiras ao financiamento da transição climática. Esses são alguns dos achados da pesquisa “Boardroom Program – Temas prioritários para lideranças e membros de conselho”, da Deloitte, que contou com a participação da alta liderança de 61 empresas, sendo 51% membros de conselho, e abordou assuntos como estratégia empresarial, tecnologia, conformidade regulatória e sustentabilidade.

Em relação à sua estratégia empresarial, três em cada quatro das empresas respondentes disseram adaptar seus modelos de negócios para atuar em ambientes competitivos e integrados, ainda que 62% das organizações direcionem a alocação de seus investimentos para áreas que gerem maior retorno financeiro. Essa capacidade de adaptação encontra eco também nas estratégias adotadas para o crescimento orgânico dos negócios, onde as principais iniciativas se dividem entre inovação em produtos e serviços (citada por 64% das empresas participantes da pesquisa), expansão para novos segmentos (48%) e estabelecimento de parcerias comerciais (46%).

Para impulsionar a inovação, quase metade das empresas consultadas participa de hubs, enquanto 31% apostam no compartilhamento de dados e recursos e 28% firmam parcerias com universidades, o que mostra um movimento positivo para acelerar a difusão de conhecimento e reduzir custos de experimentação.

No eixo tecnológico, a transformação digital é percebida como uma alavanca de geração de valor para o negócio e também como meio para ampliar a conexão no ambiente de trabalho. Para 59% das empresas respondentes, a tecnologia gerou processos internos mais digitalizados, enquanto 54% veem valor em maior investimento em automação e IA. A IA também vem sendo utilizada para aprimorar a experiência do cliente, seja implementando melhorias na jornada (conforme 38% dos respondentes), oferecendo serviços personalizados (36%) ou apoiando no atendimento (33%).

“As empresas estão passando por uma transformação seletiva, adotando em inovação, mas ainda alocando seus investimentos em áreas de retorno mais previsível, o que mitiga riscos, mas pode inibir o acesso a novas oportunidades. A inteligência artificial já é percebida como uma aliada no atendimento ao cliente, permitindo maior personalização na jornada e no suporte. No entanto, as organizações ainda enfrentam barreiras, especialmente para adoção de IA generativa, o que mostra que há um caminho de evolução a ser percorrido e aproveitado”, comenta Alex Borges, líder do Boardroom Program na Deloitte no Brasil.

A conformidade com as regulamentações e a confiabilidade na transparência dos algoritmos ainda são desafios percebidos na utilização de IA para cerca de metade das empresas participantes da pesquisa. Já em relação à implementação de GenAI, as empresas priorizam a capacitação das equipes internas (51%), o desenvolvimento de projetos-piloto (51%) e a criação de políticas de uso responsável (43%) como passos importantes de preparação para a adoção desta tecnologia.

Além de capacitar os colaboradores na utilização de IA, as empresas também investem em conscientização sobre cibersegurança – 70% delas dizem que capacitar colaboradores é sua principal estratégia para mitigar ameaças cibernéticas. Outros 67% dos respondentes apontam o investimento em infraestrutura de segurança, enquanto 62% realizam auditorias e testes de segurança.

Percepção sobre riscos e sustentabilidade

Mais de sete em cada dez empresas participantes da pesquisa se preocupam com possíveis reflexos de riscos geopolíticos em seus negócios e, dentre as medidas adotadas para gerenciá-los, as principais ações se baseiam em analisar (50%) e monitorar (48%) cenários internacionais e conflitos. Outras 28% afirmam que não consideram, atualmente, os riscos geopolíticos nas decisões estratégicas. Isso mostra que o gerenciamento desses riscos ainda não se traduz em iniciativas concretas, como políticas ou controles.

O cenário é diferente, no entanto, em relação a riscos financeiros. A implementação de controles internos é a medida mais citada (73%) pelas empresas para a mitigação, seguida pela capacitação em compliance (66%) e o monitoramento de transações suspeitas (53%).

A pesquisa também mostrou que, para se adaptar a mudanças no cenário regulatório, a maior parte das empresas monitora continuamente as alterações (74%) ou adequa seus processos internos (63%). Outro aspecto relevante, com os desafios trazidos pelas novas regras da Reforma Tributária, é a busca por consultoria especializada (59%) se destaca como uma das principais iniciativas para buscar a conformidade fiscal.

Na frente de sustentabilidade, a pesquisa encontrou resultados diferentes a depender do porte da empresa. Organizações com faturamento anual acima de R$ 1 bilhão já estruturam sua jornada rumo ao net zero, definindo metas e investindo em energias renováveis, além de utilizar tecnologia para reduzir a pegada de carbono, enquanto empresas com faturamento abaixo de R$ 1 bilhão concentram esforços no mapeamento de indicadores, com menor adoção de soluções tecnológicas e de reporte.

Para empresas de maior faturamento, por exemplo, a falta de incentivos regulatórios (52%) e barreiras no engajamento com investidores (32%) são os principais entraves ao financiamento da transição climática. Já para 42% das empresas de menor faturamento que ainda não consolidaram planos de transição, os desafios não puderam ser mapeados no momento.

Empresas com faturamento acima de R$ 1 bi também demonstram mais maturidade na definição de uma estrutura para atingir o net zero, com metas claras e investimentos em energia renovável – 60% dizem investir em energia renovável e 36% compensam emissões. Já naquelas com faturamento abaixo de R$ 1 bi, 61% ainda não têm estrutura definida para zerar as emissões.

Além disso, as organizações com maior faturamento também demonstraram adotar ações concretas, como mapeamento de indicadores ESG (76%), implementação de sistemas de reporte (64%) e modelagem de cenários sustentáveis (28%) para se adequar às exigências dos relatórios ESG, enquanto 47% das empresas menores dizem não estar se preparando ainda.

“Os resultados da pesquisa mostram diferentes estágios de maturidade em alguns temas, como sustentabilidade, por exemplo, que ainda demanda processos mais decisórios e orientados a resultados por parte das organizações. Nesse cenário, o papel da alta liderança e do Conselho das empresas é fundamental para avançar de um estágio preparatório para o ganho de escala, ancorando tomadas de decisão mais conscientes, éticas e alinhadas à criação de valor sustentável no longo prazo”, finaliza Borges.

Boardroom Program

O Boardroom Program é uma iniciativa global desenvolvida pela Deloitte para apoiar o fortalecimento da governança corporativa e a atuação estratégica dos Conselhos de Administração, Conselhos Fiscais e Comitês de Auditoria. O programa tem como principal objetivo capacitar e atualizar conselheiros e executivos, oferecendo uma visão ampla e integrada sobre temas críticos, além de promover a troca de experiências, fomentar debates e contribuir para o aprimoramento da atuação dos conselheiros. Periodicamente, o programa realiza pesquisas e estudos voltados para a atuação de Conselhos e C-level.

A pesquisa “Boardroom Program – Temas prioritários para lideranças e membros de conselho” contou com 61 empresas participantes, de diferentes setores da indústria, como serviços, bens de consumo, serviços financeiros, agronegócio, infraestrutura e TI. Os respondentes foram principalmente conselheiros (51%), além de CEOs (16%), diretores (15%) e membros de comitê de auditoria (13%).

Jeffrey Group

Assessoria de imprensa

deloitte@jeffreygroup.com