O mercado de Soluções Baseadas na Natureza (NbS na sigla em inglês) no Brasil, um dos países com maior estoque de capital natural do planeta, atravessa uma fase de expansão acelerada. Um estudo inédito conduzido pela Capital for Climate, em parceria com a Deloitte Brasil, mapeou pela primeira vez o fluxo recente de investimentos, as projeções até 2027 e o pipeline de projetos disponíveis no País — indicando um setor que combina sofisticação crescente, diversidade de fontes de capital e um conjunto robusto de iniciativas prontas para absorver investimentos.
A aceleradora de investimentos em soluções climáticas Capital for Climate identificou mais de US$ 3,91 bi em investimentos anunciados em soluções baseadas na natureza no Brasil desde 2022 – quase metade desse valor somente em 2025.
A intenção de alocação futura de capital também é forte e crescente. De acordo com uma pesquisa realizada junto a 34 grandes gestoras de fundos e instituições financeiras que operam no Brasil, conduzida pela Deloitte Brasil e pela Capital for Climate, há intenção de alocar US$10,4 bi em NbS no Brasil até ao final de 2027,chegando a US$ 18,8 bi em 2030. As mesmas gestoras e instituições informaram ter alocado US$ 2,1 bi entre 2023 e 2024.
Esses valores superam a meta de US$ 5 bilhões estabelecida pela Capital for Climate em 2023 para a mobilização “COP30 Brazil NbS Capital Mobilization” e reforçam o dinamismo de um pipeline de projetos cada vez mais maduro e diversificado.
Do lado da oferta, um estudo paralelo também mostra aceleração. Entre os 32 principais desenvolvedores de projetos consultados, há planos de captar US$ 6,1 bilhões até 2027, mais que dobrando sua capacidade atual de absorção de capital. Os dados sugerem que o mercado brasileiro de NbS pode ser ainda maior do que se estimava, e posicionam o País como referência global em estruturação e escala de soluções de restauração, conservação e bioeconomia.
Tony Lent, cofundador da Capital for Climate, diz: “O que estamos observando agora em relação às soluções baseadas na natureza é um crescimento muito rápido. O volume médio das operações dobrou nos últimos três anos, representando um crescimento anual de 30%. Constatamos que, de modo geral, a demanda e a oferta de capital estão relativamente equilibradas – o desafio está em estruturar um mix de capital adequado ao pipeline de projetos investíveis. O dinamismo do mercado de soluções baseadas na natureza mostra que o Brasil está à frente na resposta aos desafios climáticos e de biodiversidade. O país está posicionado para oferecer retornos compatíveis com o mercado na bioeconomia, ao mesmo tempo em que alcança as metas de impacto do seu plano de transição ecológica.”
Investidores ampliam escala e participação
Uma pesquisa anterior realizada por Deloitte Brasil e C4C, em 2024, com mais de 40 participantes, indicou que investidores institucionais e empresas buscavam cada vez mais valor agregado de longo prazo em ativos que sejam livres de desmatamento e resilientes às mudanças climáticas, abrangendo diversas estratégias de soluções baseadas na natureza (NbS), incluindo agricultura regenerativa e restauração florestal.
Fundos de private equity e de venture capital focados em NbS relataram uma meta média de retorno de 21,4% ao longo de um período de aproximadamente 10 anos, enquanto instrumentos de crédito privado e dívida reportaram metas médias de retorno de 12% em uma maturidade de 6 anos.
Luiz Paulo Assis, sócio da Deloitte Brasil, diz: “O Brasil está em uma posição única para liderar investimentos em soluções baseadas na natureza, impulsionado por fatores como uma agricultura competitiva a nível global e o vasto potencial de restauração de seus diversos biomas. À medida que novos instrumentos financeiros surgem para ajudar a mitigar o risco para investidores e o pipeline de projetos continua a se desenvolver, a natureza é cada vez mais reconhecida como uma classe de ativos viável para o capital institucional.”
Jeffrey Group
Assessoria de Imprensa