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Ativos biológicos: como uma auditoria experiente cuida do “coração” do agro

Os ativos do agronegócio são muito diversificados e sustentam a indústria que contribui para a economia do País. A auditoria atua para prover segurança razoável e atendimento às normas e regulamentações para o setor.

Que o agronegócio é um motor fundamental para o avanço econômico do Brasil, já é de conhecimento geral. Afinal, o agro representa 1/3 do nosso Produto Interno Bruto (PIB) e foi um setor que seguiu gerando valor para o País mesmo durante a pandemia de Covid-19 e ao longo de toda a crise acarretada por ela.

O que muitos não sabem é de todo o trabalho minucioso que é realizado para avaliar e calcular tudo o que é produzido e criado pela indústria do agronegócio. Esses “produtos” vão da soja à laranja, do boi ao eucalipto, da cana às hortaliças – e são chamados de “ativos biológicos”.

Qual a importância de ativos biológicos para o agronegócio?

 

Esses ativos estão por trás das extensas áreas cultivadas e com pastos Brasil afora, e precisam estar registrados na demonstração financeira das empresas responsáveis por sua produção. Como é possível contabilizá-los em uma propriedade e mensurar o valor justo de cada cultura? E como um auditor especializado pode promover uma segurança razoável aos stakeholders (investidores, participantes do mercado de capitais e leitores das demonstrações financeiras dos players da indústria de agro), seguindo as Normas Brasileiras e Internacionais de Auditoria?

É fácil imaginar a extensão desse processo diante da relevância e do protagonismo que esse setor tem na economia nacional. São muitas variáveis para realizar a mensuração de ativos em um mercado suscetível a impactos, diretos ou indiretos, de ordem econômica, política e ambiental – como é o caso das intempéries climáticas, distintas em todo o Brasil, que podem prejudicar toda a cadeia produtiva de determinada cultura e impactar sua produtividade. Por isso, o planejamento prévio é parte fundamental do processo.

Além desses fatores, ainda há questões externas e cambiais que podem afetar esse mercado, seja por conta de uma pandemia global, de variações no preço de commodities ou de guerras – como a da Ucrânia, que causou problemas para os produtores brasileiros por dependerem de fertilizantes produzidos nas áreas assoladas pelo conflito.

Diante desse cenário tão complexo, são muitos os desafios na hora de definir o valor de determinado ativo biológico. É preciso olhar para o futuro e estimar a previsão de conclusão do produto, o volume de produção, os custos atrelados, a taxa de juros do financiamento usado e a incidência tributária.

Para isso, existe uma norma que preconiza o critério de registro contábil do ativo biológico. Seu registro e mensuração têm como base a elaboração de um fluxo de caixa descontado, sempre olhando para frente e para a data prevista para a colheita, projetando a que preço e quantidade ela ocorrerá, e que custos estarão embutidos.

A auditoria dos ativos promove segurança razoável aos players do mercado

 

Aqui é onde começa o trabalho da auditoria — uma exigência para as empresas do agro que possuem capital aberto, linhas de financiamentos, dívidas com bancos públicos e/ou privados ou que seguem as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O trabalho de um auditor proporciona uma segurança razoável aos acionistas e financiadores, demonstrando que os cálculos e a mensuração do ativo biológico foram efetuados em consonância às normas contábeis e refletem o adequado valor econômico do ativo. Para trazer para uma realidade mais concreta, confira o exemplo de passo a passo para o caso da soja:

  1. É feita a revisão da projeção do número de sacas ou toneladas a serem produzidas até o fim do período que está sendo calculado, entrando fatores como a quantidade produzida no passado, a perspectiva climática para os meses anteriores à colheita e a cotação no mercado para o grão no mercado futuro.
  2. Posteriormente, é realizada a análise do custo que a organização terá para que esse ativo chegue no ponto de colheita/venda, além da análise de mudanças de mercado envolvendo taxas de desconto e de juros (ponto crucial no país atualmente, diante da discussão entre governo e Banco Central sobre o tema). Dentro desse leque, entram ainda custos de mão de obra, logísticos, maquinário e combustível — tudo também considerado pelas questões econômicas e previsão inflacionária.

Devido a toda essa complexidade, é necessário uma equipe de auditoria experiente, com ferramentas que permitam a realização de avaliações baseadas em histórico de dados, mas que, ao mesmo tempo, analisem as perspectivas corrente e futuras.

A crescente importância da tecnologia para o cálculo dos ativos também é um ponto tratado nas auditorias atuais. No cultivo da cana, por exemplo, há fazendas que utilizam máquinas acopladas com câmeras, robôs, GPS (geolocalização de alta precisão) e outras tecnologias que integram as informações do campo com os sistemas da organização em tempo real, permitindo que a área contábil/financeira da empresa também tenha os dados agrícolas disponíveis simultaneamente na estimativa do ativo biológico (produtividade e área disponível, entre outros). Para os desafios que essa área pode trazer, a auditoria também pode apoiar, analisando o nível de governança e aprimorando as estruturas de controles internos e integração tecnológica entre as diversas plataformas deste ecossistema.

Barreiras como essas impulsionam auditorias a desenvolverem soluções mais customizadas na hora de avaliar e reavaliar os ativos biológicos. Para mensurá-los com precisão é necessário reunir informações e dados que possam ser transformados tanto em evidências de auditoria, quanto em insights a serem compartilhados com a governança da organização. Afinal, os ativos biológicos formam o verdadeiro coração de qualquer empresa do agro.

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