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Mensagem do Presidente do Júri

Portugal vive um dos mais complexos e exigentes momentos da sua história mais recente.

Uma crise de contornos internacionais teve como principal efeito direto mostrar à evidência os resultados de políticas erradas que foram prosseguidas em Portugal nas últimas décadas. À vista fica uma economia impreparada para fazer face aos desafios que se colocam hoje a um espaço geográfico que quer ser competitivo e geradora de riqueza e bem-estar social.

Tem sido grande o esforço que os cidadãos e as empresas têm sido chamados a fazer para  tentar dar uma adequada resposta ao resultado de uma sucessão interminável de más políticas prosseguidas nas últimas décadas.

A inversão de indicadores-chave (desemprego, PIB, IDE, dentre outros) exige políticas corajosas, acesso a capital e muito conhecimento e talento. As empresas estarão no epicentro da retoma da economia e assim consigam o acesso às necessárias fontes de financiamento, serão o motor decisivo da retoma; nem de outra forma poderia ser.

Ora, a acesso ao capital é uma chave de sucesso nessa curva de retoma. O tradicional modelo de financiamento das empresas portuguesas, voltado para a acumulação de dívida em detrimento de um saudável equilíbrio desta com o reforço dos capitais próprios, não é modelo que hoje tenha espaço de sobrevivência. Este caminho de “desalavancagem” é penoso e moroso, até porque, em paralelo, as próprias instituições de crédito vêm fazendo o seu trabalho de limpeza de crédito mal parado e, como se não bastasse, de reforço concomitante dos rácios prudenciais aplicáveis. Ora, seja pelas virtudes implícitas de um novo modelo (menos assente em dívida) seja pela situação em que se encontra a banca, o mercado de capitais terá um papel de crescente importância.

Porém, este terá de ser mais participado, mais ativo, profissional, inovador e com agentes económicos capazes de assumirem uma vertente empreendedora e de assunção de risco numa matriz de valores que encontram na confiança, o rigor e a transparência de atuação os pilares e os pressupostos em que assenta um modelo de financiamento que entre nós teima ainda em ter uma expressão reduzida e um papel secundário no financiamento da economia.

As boas práticas de governo societário e a qualidade na relação das empresas com o mercado e os seus stakeholders são temas decisivos para a geração de confiança, factor indispensável para que o referido mercado de capitais possa funcionar.

O IRGA – Investor Relations & Governance Awards tem sido, ao longo de mais de 25 anos, o espaço por excelência de reconhecimento das empresas portuguesas que, no dia a dia, cultivam a excelência na informação ao mercado, seja sobre as práticas de governo societário que prosseguem, seja sobre a sua estratégia, os seus negócios, os riscos e a forma como os identificam  e mitigam, os sistemas de controlo interno e externo que rodeiam a sua actividade e tantos outros temas que, dados a conhecer ao mercado, induzem a indispensável confiança.

O IRGA premiará uma vez mais os melhores, elegendo-os como exemplos a serem seguidos. E é de bons exemplos que todos precisamos, numa fase tão difícil que atravessamos, para que não se nos falhem as energias e tenhamos a certeza de que, com qualidade, rigor e mobilização, saberemos vencer os desafios, por mais intransponíveis que se nos afigurem. 

Manuel Alves Monteiro
Presidente do Júri , Investor Relations & Governance Awards
Maio de 2012

 

NOTA: Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.