This site uses cookies to provide you with a more responsive and personalized service. By using this site you agree to our use of cookies. Please read our cookie notice for more information on the cookies we use and how to delete or block them.

Bookmark Email Imprimir esta página

Banca em Análise Angola 2010


Por favor proceda ao download dos anexos  

A banca angolana teve um comportamento positivo e registou uma tendência de crescimento em 2009, apesar da crise financeira internacional. Esta é a principal conclusão da quinta edição do estudo da Deloitte “Banca em Análise”, apresentada hoje em Luanda.

A análise da Deloitte destaca ainda uma melhoria dos resultados dos bancos, sustentada na evolução positiva do crédito e depósitos, e uma crescente maturidade do próprio mercado que se traduz ao nível dos indicadores bancários.

Em 2009, o valor total dos depósitos de clientes foi de 2.357 mil milhões de kuanzas (AKZ), o que se traduziu num crescimento de 65 por cento. A estrutura de depósitos por moeda alterou-se devido à preferência pela moeda estrangeira, num total de 54 por cento dos depósitos, enquanto a moeda nacional ficou-se pelos 46 por cento. Esta alteração resultou, em grande parte, da expectativa de desvalorização do AKZ devido à queda do preço do petróleo no final do ano de 2008 e início de 2009. O valor dos depósitos à ordem situou-se acima dos 1.601 mil milhões de AKZ, enquanto os depósitos a prazo ultrapassaram os 755 mil milhões de AKZ. Contudo, o aumento da oferta de produtos e o maior grau de maturidade do mercado causou o crescimento do peso dos depósitos a prazo que, em 2008, representavam 18 por cento passando para 32 por cento, em 2009.

A posição relativa dos cinco maiores bancos alterou-se face ao ano anterior. O Banco Africano de Investimentos S.A. foi líder com uma quota de 25,1 por cento. Em segundo lugar ficou o Banco de Fomento Angola S.A.R.L (19,0%), seguido pelo Banco de Poupança e Crédito S.A.R.L. (15,1%), o Banco BIC S.A. (12,8%) e o Banco Espírito Santo Angola S.A.R.L. (9,5%). Os cinco maiores bancos, no seu conjunto, agregam uma quota de mercado de quase 81,5 por cento, valor inferior ao de 2008. Com base no Agregado de Captação de Fundos de Clientes, a liderança do ranking pertence ao mesmo grupo de bancos, sem alterações nas posições ocupadas.

O valor de crédito interno registou um aumento, tendo atingido um valor total de 2.229 mil milhões de AKZ. Os particulares representaram 42 por cento do total de crédito e os restantes 58 por cento dizem respeito ao crédito a empresas, com destaque para as áreas do Comércio (31%) e Construção (14%). Face ao Crédito Líquido a Clientes, manteve-se um crescimento estável que ultrapassou os 1.272 mil milhões de AKZ.

Para o ano de 2010 é previsível que se mantenha a tendência de crescimento do crédito a clientes, embora com alguma desaceleração. De acordo com a análise da Deloitte, o grupo dos cinco maiores bancos manteve-se inalterado, embora com posições distintas face ao ano de 2008. O BAI assumiu a liderança deste ranking com uma quota de 21,4 por cento, seguindo-se o BPC (18,9%), o BESA (16,7%), o BIC (12,9%) e o BFA (12,2%).

O produto bancário teve um crescimento de cerca de 55 por centro, atingindo um valor de 233 mil milhões de AKZ, face aos 130 mil milhões de AKZ em 2008. As provisões registaram também um crescimento de 104 por cento, atingindo os 41 mil milhões de AKZ, face aos 20 mil milhões atingidos em 2008. O total de resultado líquido do sector cresceu 55 por cento para cerca de 102 mil milhões de AKZ em 2009, face aos 66 mil milhões em 2008, uma subida justificada pelo crescimento do custo inferior do crescimento do produto bancário, o que revela uma maior eficiência e um crescente grau de maturidade do mercado. No que diz respeito a resultados, os cinco lugares cimeiros são ocupados pelo BAI, BFA, BESA, BIC e BPC, respectivamente.

Nos indicadores de rentabilidades dos capitais próprios médios (ROAE) verificou-se uma ligeira redução, que se situou nos 39,9 por cento, em comparação com os 41,9 por cento obtidos em 2008. Neste ranking, o Banco Sol (61%) foi líder, seguido pelo BESA (60%), BPA (48%), FNB (44%) e o BFA (43%). Também o BAI e o BIC atingiram uma rentabilidade dos capitais próprios acima dos 40 por cento.

Ao nível dos meios electrónicos de pagamento, o número de cartões de crédito e débito aumentou cerca de 4 por cento, assim como os cartões válidos que registou um crescimento de 12 por cento. No que se refere à rede de terminais, o número de Caixas Automáticos (ATM) aumentou para 995 (717 em 2008) e o número de Terminais de Pagamento Automático (TPA) cresceu para 7.587 terminais (2.660 em 2008). Em paralelo, o número de transacções cresceu cerca de 34 por cento face a 2008, com um aumento de 31 por cento nas transacções realizadas em ATM e 94 por cento nas efectuadas em TPA. Contudo, e apesar de uma evolução significativa do número de TPA, este crescimento não foi acompanhamento pelo volume de transacções, o que espelha a necessidade de uma maior sensibilização por parte dos agentes económicos a este meio de pagamento.

Esta análise do sector, elaborada pela Deloitte, resulta da compilação de informação pública disponibilizada por 16 dos 19 bancos a operar em Angola em 2009 e pelo Banco Nacional de Angola (BNA), para além dos dados recolhidos sobre outros mercados, nomeadamente o português, o brasileiro, o sul-africano e o norte-americano. Os valores agregados do sistema resultam do somatório dos valores de todos os bancos considerados no estudo. As contas de 2009 do BCI, apresentadas nesta edição, são provisórias.