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Estudo CFO European Survey Spring 2024

Quase metade dos CFOs em Portugal estão otimistas com perspetivas para o futuro das suas empresas

  • 45% dos CFO em Portugal estão agora “mais otimistas” em relação às perspetivas financeiras das suas empresas do que três a seis meses antes.
  • Líderes financeiros em Portugal e na Europa estão mais otimistas do que no final do ano passado.
  • Sensação geral é de otimismo cauteloso, com 60% dos CFOs a acreditar que os riscos geopolíticos possam prejudicar a sua capacidade de atingir os objetivos estratégicos.

LISBOA, 18 de setembro de 2024 — Os líderes financeiros das empresas em Portugal estão mais otimistas do que no final do ano passado e, tal como no resto do continente europeu, têm perspetivas futuras mais positivas agora do que na última edição do CFO Survey da Deloitte.

Em concreto, 45% dos diretores financeiros das empresas em Portugal estão agora “mais otimistas” em relação às perspetivas financeiras das suas empresas do que três a seis meses antes, com apenas 16% a afirmar estar menos otimista.

Isto significa que o sentimento dos CFOs em Portugal recuperou, com o saldo líquido da confiança das empresas, que mede a diferença entre a percentagem de respostas positivas e negativas, a aumentar para +29%, um aumento significativo comparativamente à edição de outono de 2023 deste estudo (saldo líquido negativo de -9%), bem como comparando com os CFOs na Europa (saldo líquido positivo de +16%).

Os dados da edição da primavera de 2024 do CFO Survey foram recolhidos entre março e abril deste ano através de um inquérito online e refletem as respostas de 1.333 CFO em 13 países da Europa, entre os quais Portugal (além da Áustria, Dinamarca, Alemanha, Islândia, Irlanda, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido) numa vasta gama de indústrias. Este estudo semestral revela insights sobre o contexto português e europeu e a visão dos CFOs sobre as questões económicas, financeiras e estratégicas.

De acordo com Nelson Fontainhas, Partner da Deloitte e responsável pelo estudo em Portugal, “os CFOs tanto na Europa como em Portugal mostram sinais de otimismo, mas permanecem cautelosos. No atual contexto geopolítico e económico, os CFOs deverão permanecer vigilantes à medida que surgem riscos geopolíticos, resilientes para lidar com a incerteza e proativos para repensar novas estratégias para aproveitar da melhor forma oportunidades de mercado, e continuar o caminho de fortalecimento do papel do CFO nas organizações.”

Perspetivas para o futuro

Embora os atuais níveis de otimismo ainda estejam abaixo dos níveis anteriores à invasão da Ucrânia, encontram-se já acima dos níveis anteriores à pandemia da COVID-19, mostrando que os diretores financeiros têm um sentimento mais positivo, mas permanecem cautelosos, vigilantes, resilientes e proativos diante de um cenário de incerteza.

Nos últimos anos as empresas enfrentaram desafios sem precedentes devido a grandes perturbações e o último semestre não foi exceção, com a maioria das economias europeias a enfrentarem elevados níveis de inflação e políticas monetárias restritivas que influenciaram o poder de compra, a procura por bens e serviços e os custos de financiamento.

Face a este cenário, os níveis de incerteza no futuro permanecem elevados, com o risco geopolítico a emergir como a principal preocupação dos CFOs em Portugal nos próximos 12 meses. De facto, 60% dos CFOs inquiridos acredita que os riscos geopolíticos possam prejudicar a sua capacidade de atingir os objetivos estratégicos, sendo os eventos mais significativos a invasão da Ucrânia e o aumento de ransomware e ataques cibernéticos.

Tal como observado no sentimento geral, os CFO em Portugal estão mais otimistas nas expectativas sobre a evolução das principais métricas financeiras nos próximos 12 meses, em comparação com os seus homólogos na Europa, particularmente no que respeita às receitas (+52%), às margens operacionais (+20%), ao CAPEX (+43%) e ao emprego (+35%).

Apesar deste otimismo cauteloso, os CFOs em Portugal optaram por estratégias expansionistas em detrimento de estratégias defensivas, com a digitalização a tornar-se a principal estratégia para os próximos 12 meses, seguida do crescimento orgânico, do aumento dos fluxos de caixa operacionais e do crescimento nos mercados existentes.

O inquérito destaca ainda que o papel do CFO se fortaleceu nos últimos cinco anos: quase dois terços dos CFOs em Portugal reportam que as suas responsabilidades aumentaram nos últimos cinco anos, em áreas como a gestão de risco (62%), transformação digital (58%), ESG (54%) e governança de dados (50%). Seguindo a mesma tendência, quase três em cada quatro CFOs em Portugal (70%) relataram que a sua influência aumentou de alguma forma ou até significativamente no conselho de administração.

Comparação com o resto da Europa

A nível global, 36% dos diretores financeiros estão agora “mais otimistas” em relação às perspetivas financeiras das suas empresas do que três a seis meses antes (em comparação com 22% no outono de 2023), enquanto 20% declararam sentir-se “menos otimistas”. Os restantes 45% referiram uma perspetiva inalterada.

Assim, o saldo líquido da confiança das empresas aumentou para +16, contra -12 no outono de 2023 e acima da média de 3 desde o início do inquérito em 2015. Isto indica que as perspetivas estão, em geral, a melhorar para os CFO europeus, mas muitos continuam cautelosos.

No geral, o sentimento recuperou em 12 dos 13 países representados no inquérito. A Irlanda foi a exceção, mas por razões animadoras: neste país, o sentimento já era positivo e manteve-se inalterado num nível elevado.

Os CFO irlandeses continuam a ser os mais otimistas da Europa, seguidos pelos espanhóis. Os CFO de Espanha registaram o segundo nível mais elevado de otimismo, o que pode estar relacionado com o facto de a economia espanhola ter registado um desempenho melhor do que a maioria dos países europeus nos últimos seis meses.

No outro extremo do espetro estão a Itália e os Países Baixos. Embora o sentimento empresarial entre os CFO italianos e holandeses seja melhor do que há seis meses, o saldo líquido é o mais baixo entre os 13 países que participaram no inquérito.

Aceda aqui ao estudo completo “CFO Survey- Edição Primavera 2024”.