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Estamos em 2030 e o impacto da tecnologia na economia não para de crescer. As 100 maiores empresas têm, através da tecnologia, conseguido diversificar as áreas de negócio, criar novos modelos de prestação de serviços e gerar mais lucro. No entanto, estas empresas europeias já não têm controlo sobre a origem da tecnologia que utilizam, uma vez que é desenvolvida por gigantes tecnológicos sedeados na América do Norte, Ásia e América Latina.
O futuro do setor tecnológico europeu, 2030

A Europa, em 2030, apresenta uma próspera comunidade tecnológica, representada por médias empresas e por start-ups. A região destacou-se, ao longo da década, com o lançamento de vários unicórnios que, no entanto, nunca cresceram ao ponto de se tornarem líderes mundiais. Nesta nova Europa, ainda não assistimos à evolução para decacórnios europeus, ou seja, start-ups avaliadas em mais de 10 mil milhões de dólares.

A indústria alimentar é um bom exemplo desta nova realidade: as cinco maiores empresas europeias do setor da alimentação premium aplicaram uma nova tecnologia não europeia para desenvolverem os seus negócios. A produção dos alimentos é feita na Europa, vendida por europeus a europeus, mas a tecnologia das plataformas utilizadas, as APIs e os dados são todos fornecidos por gigantes tecnológicos asiáticos e americanos.

Ao longo da década de 2020, foram fundadas várias empresas tecnológicas, prosperaram durante algum tempo, mas nenhuma chegou ao ponto de dominar e, em última análise, todas acabaram por ser adquiridas e consolidadas por grandes empresas e investidores de plataformas globais.

De facto, a maioria das empresas tecnológicas europeias em ascensão acabaram por ser compradas, saíram da região ou juntaram-se à concorrência antes de atingirem a maturidade. A título de exemplo, vamos analisar a Perfect Vacation, uma empresa fundada em 2021, em Itália, que utilizava uma tecnologia inovadora para facilitar o trabalho administrativo associado aos protocolos da Covid-19 em viagens. Esta empresa começou por vender serviços de gestão de risco às agências de viagens, ou seja, tecnologia capaz de gerar informação sobre o estado de saúde dos turistas e de informar sobre a probabilidade de estarem infetados com o vírus SARS-CoV-2.

No final do verão de 2022, os meios de comunicação social comentavam que os clientes da Perfect Vacation estavam a ter prioridade nos check-ins das companhias aéreas devido ao seu “suposto” perfil de risco de infeção mais baixo. Nas aplicações de reserva dos restaurantes, foi introduzido um filtro que mostrava os lugares preferidos dos Perfect Vacationers. Também os restaurantes, para evitar clientes descuidados que pudessem infetar membros da equipa, causando o encerramento do restaurante durante a época alta, ofereciam descontos aos clientes da Perfect Vacation.

Em 2023, a Perfect Vacation adicionou outra opção: o Perfect Pay para compras em hotéis, restaurantes e táxis. A empresa utilizou a sua capacidade de avaliação de risco cada vez mais precisa para identificar indivíduos que apresentavam baixos riscos financeiros. Nesse ano, a Perfect Pay mudou a sua sede para Londres, em grande parte devido aos incentivos oferecidos, mas também porque havia mais acesso a talento, uma mudança que causou alguma inquietação.

Um ano mais tarde, o Perfect Group ganha uma nova imagem e expande-se para a América do Norte. A Perfect ofereceu à indústria turística dos EUA uma forma instantânea e fiável de determinar quem tinha permissão para entrar nas atrações turísticas. A maioria dos parques temáticos oferecia filas de espera específicas para as famílias de baixo risco que viajavam com a Perfect.

Em 2025, quando a Perfect se aproximava do marco do milionésimo cliente, começou a ter alguns problemas. Houve ressentimento por parte dos consumidores a quem foi negado o acesso à Perfect, entre os quais um número crescente de políticos, jornalistas e músicos. Também houve inquietação por parte dos reguladores da UE acerca dos fluxos de dados na sequência da expansão da Perfect para a América do Norte. A Perfect fez algumas alterações no seu modelo de negócio após longas negociações com os reguladores europeus, na esperança de concluir de eliminar as inquietações existentes.

De modo a antecipar novas restrições regulamentares, a Perfect decidiu mudar a sua sede para a Costa Ocidental. O custo da relocalização de famílias da Europa para a Califórnia foi elevado, mas o acesso a um maior financiamento dos mercados de capitais dos EUA ajudou na transição.

A Perfect continuou a ser uma grande interveniente na Europa e continuou a ser um fornecedor privilegiado do setor turístico europeu, mas a sua prioridade era, sem dúvida, os mercados da América do Norte e da Ásia.

Este cenário corresponde a uma das quatro visões do futuro. As empresas são fictícias, mas a narrativa é baseada em factos, eventos e tecnologias reais.

 

 

Os drivers e impulsionadores do cenário
da «Cowardly cash cow».

As empresas tecnológicas europeias continuam a ser excelentes no desenvolvimento de tecnologia, mas são menos boas na agregação de soluções que proporcionam o maior valor acrescentado. Os gigantes tecnológicos americanos e asiáticos continuam a procurar empresas europeias para preencher lacunas nos seus mercados.

A Europa continua a ser popular entre os empreendedores de tecnologia, especialmente os que iniciam a sua atividade. São atraídos pelo grande financiamento oferecido pelos governos nacionais. Estão também conscientes de que se conseguirem atingir uma grande escala em alguns países europeus, isto poderá torná-los alvos de aquisição para grandes tecnológicos sediados nas Américas e na Ásia.

As pequenas e médias empresas estão agora focadas em crescer, de modo a serem adquiridas: «sair cedo» é o mantra para os empreendedores de tecnologia. A Europa continua a ser muito bem-sucedida na criação de empresas em setores tradicionais e não na tecnologia. Em 2030 as marcas automóveis europeias dominam o mercado de veículos elétricos, mas os seus modelos mais vendidos utilizam tecnologias, incluindo baterias e tecnologias avançadas de assistência à condução, provenientes da Ásia.

O capital disponível para investir em pequenas e médias empresas é elevado. Os investidores sabem que ao apostar neste setor, as probabilidades de lucrar aumentam significativamente.

A economia europeia continua a crescer, mas não de forma espetacular. As taxas de crescimento acompanham as de outros mercados com empresas tecnológicas mais bem-sucedidas. Mas o nível de vida continua a subir, de forma moderada e previsível. Embora a Europa possa não ter grandes empresas tecnológicas globais, tem os principais intervenientes noutras indústrias menos rentáveis e de crescimento mais lento.

Os 44 países da Europa competem entre si para atrair as grandes empresas tecnológicas, no entanto, esta região deveria de agir como um bloco único.

A América do Norte e os países asiáticos detêm as maiores empresas tecnológicas e estão satisfeitos com o papel da Europa no desenvolvimento de tecnologias e empresas que são subsequentemente adquiridas por empresas e fundos de investimento estrangeiros.

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