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Hotéis europeus apresentam sinais de recuperação depois da quebra

O relatório trimestral da Deloitte mostra que, de Janeiro a Setembro de 2009, os resultados do sector hoteleiro decresceram em toda a Europa. O índice de Preço por Quarto Disponível (revPAR) desce 19,2 por cento na Europa, situando-se no valor médio de 58 euros. Na origem da quebra está a descida de 12,3 por cento no preço médio por quarto e a baixa da taxa de ocupação para 61,6 por cento.

“O ano de 2009 foi de grande turbulência no sector de hoteleiro europeu com a crise económica a deixar a sua marca. O aumento do desemprego, o aparecimento do vírus H1N1 e a crescente força do Euro face a outras moedas tiveram um impacto decisivo nos resultados”, destaca Alex Kyriakidis, Global Managing Partner de Tourism Hospitality & Leisure da Deloitte.

“O facto de a maioria dos consumidores ter escolhido fazer férias “dentro de portas”, em vez de viajar para o estrangeiro e das empresas terem adoptado uma política mais restrita face às viagens de negócio, fez com que os hotéis, companhias aéreas e operadores turísticos tivessem quebras tanto ao nível de resultados como de vendas. Até Setembro de 2009, todas as cidades europeias sentiram um decréscimo no índice de Preço por Quarto Disponível (revPAR), sendo que há casos com quebras mais acentuadas do que outros”, acrescenta.

Na zona euro, o sector hoteleiro desceu 16,8 por cento no revPAR, uma quebra decorrente da força do euro sobre a libra esterlina que teve um efeito dissuasor junto dos turistas dos principais mercados emissores da Espanha, França e Itália. No entanto, os países fora da zona euro também não saíram ilesos e registaram um decréscimo de 20 por cento no revPAR, assim como um declínio do preço médio por quarto, de acordo com dados da empresa STR Global.

Portugal

O País acompanhou a tendência negativa do resto da Europa. A cidade de Lisboa regista uma quebra de 9,3 por cento na taxa de ocupação, no período de Janeiro a Setembro de 2009. Paralelamente, também o revPAR desce 17 por cento e o preço médio por quarto vendido tem uma quebra de 9,1 por cento, situando-se nos 91 euros. Contudo, apesar de uma recuperação lenta, assiste-se a um fenómeno especial assente no facto de Lisboa constar na lista dos cinco países europeus com mais projectos hoteleiros. Este ano, segundo os dados recolhidos, prevê-se a inauguração de cinco novas unidades na capital, que se traduzirá numa oferta de mais 671 quartos.

Espanha

Considerado como um dos três principais destinos de férias na Europa, Espanha foi bastante atingida devido à quebra do número de turistas oriundos do Reino Unido, Alemanha e França, principais mercados emissores. Os britânicos, em particular, evitaram o país quando a libra esterlina desvalorizou face ao euro. Paralelamente, a Espanha deparou-se com uma forte concorrência por parte de países a oriente e no mediterrâneo sul, como a Turquia, Tunísia, Egipto e Marrocos.

As duas principais cidades espanholas, Barcelona e Madrid, apresentam uma descida do índice de revPAR de 22,5 por cento e 30,5 por cento, respectivamente. Especificamente em Barcelona, a quebra deve-se à descida de 15,7 por cento do preço médio por quarto, situado nos 113 euros. A taxa de ocupação tem também um decréscimo de 8,1 por cento, situando-se actualmente em 64,4 por cento. A abertura de novos hotéis na cidade, durante o ano de 2009, pode dificultar a saída da recessão.

Alemanha

Apesar de a Alemanha ter sido um dos primeiros países a sair da recessão no Verão, juntamente com França, o sector do turismo tem-se debatido com as consequências directas da crise nos hotéis. O abrandamento das viagens de negócio, a estagnação do lazer e o crescimento da oferta hoteleira em algumas cidades tiveram influência nas variações dos resultados alcançados pelo país. A cidade de Dusseldorf sente a maior quebra no índice revPAR, com um decréscimo de 33,3 por cento, enquanto Hamburgo, Berlim, Frankfurt e Colónia apresentaram descidas menos acentuadas.

A companhia aérea alemã, Lufthansa, anunciou recentemente que, devido à fraca procura, teve de reduzir em 7,4 por cento o número de voos ao fim-de-semana, durante os meses de Inverno e sobretudo em rotas dentro da Europa. No entanto, a recuperação da economia alemã vai ter efeitos benéficos na procura de viagens de negócio e lazer.

Reino Unido

Tendo sido o coração da crise financeira de 2008, contrariamente a outros países europeus o Reino Unido continua em recessão. A crise económica tem um enorme impacto no Reino Unido, com o desemprego a atingir o pico máximo em 13 anos no Verão e a libra esterlina a desvalorizar face ao euro. Perante este cenário, muitos britânicos optaram por ficar em casa nas férias. No entanto e apesar do efeito de captação interna, os hotéis do Reino Unido têm estado numa espiral descendente ao longo do ano.

Os hotéis em Londres tiveram uma descida de 7,6 por cento do revPAR até Setembro. Contudo, registaram a maior taxa de ocupação na Europa ( 79,8 por cento). Os hotéis escoceses também têm razões para celebrar. As cidades de Glasgow e Edimburgo foram as únicas cidades europeias que assistiram a um crescimento da taxa de ocupação. Edimburgo alcançou, ainda, a segunda taxa de ocupação da Europa com 76,8 por cento, ficando apenas atrás da cidade de Londres, mas à frente de Paris.

República Checa

Fora da zona euro, Praga regista uma das maiores quedas do índice revPAR (26.4 por cento). A capital da República Checa registou um aumento do número de aberturas durante 2009, totalizando uma oferta de mais 900 quartos. Este facto, combinado com a queda do número de turistas, gerou um forte impacto nos resultados do sector hoteleiro. No entanto, com o suavizar da crise e a recuperação dos mercados emissores, nomeadamente a Alemanha, os hotéis de Praga vão começar a mostrar sinais de recuperação.

Rússia

Depois de uma década de crescimento, a cidade de Moscovo também se depara com uma quebra abrupta motivada pela recessão económica e o decréscimo da procura, o que originou uma descida de 57,8 por cento na ocupação. O preço médio por quarto era, em 2008, de 60 dólares americanos e comparando com os valores actuais representa uma quebra de 30,5 por centro no revPAR – a cidade com resultados mais baixos fora da zona euro.

Tal como Praga, também Moscovo vive uma era de novas aberturas. De acordo com a Lodging Econometrics, esta é uma das cinco cidades da Europa em termos de projectos para novos hotéis. Actualmente conta já com oito novos, o que equivale a 2000 quartos para abrir em 2010.

Olhando para o futuro, Jorge Marrão, Partner da Deloitte, destaca: “Actualmente os hoteleiros já estão a detectar alguns sinais de recuperação económica por toda a Europa. A confiança dos consumidores começou a subir, nomeadamente, na Alemanha e em França. Os próximos meses ainda serão de luta para que os hoteleiros na Europa consigam alcançar resultados positivos. Em geral, terminam o ano com melhores perspectivas com que o iniciaram, entendendo que o pior já passou. Os orçamentos conservadores para 2010 indiciam para o Novo Ano a inversão da tendência da descida do índice revPAR sentida em 2009”.

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