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Deloitte e ANEOP apresentam estudo sobre a construção em Portugal

Empresas de construção continuam a apostar na internacionalização e diversificação

A internacionalização vai continuar a ser a grande aposta das grandes empresas construção nos próximos dois anos, revela o estudo “O Poder da Construção em Portugal – Impactos 2009/2010”, elaborado pela Deloitte e pela Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP).

O estudo reflecte as perspectivas das empresas de construção, num universo das 50 maiores empresas do sector, que representam cerca de vinte e três por cento (23%) do seu volume de negócios. A internacionalização é crucial para gerar receitas e aumentar o volume de negócios, assim como para ultrapassar os constrangimentos da dimensão do mercado nacional, agravada com a actual crise económica. Presentemente, mais de setenta por cento (70%) das empresas envolvidas no Estudo têm actividade fora de Portugal, sendo que cerca de oitenta e seis por cento (86%) do negócio internacional do sector é realizado pelo top dez.

No que respeita aos mercados, cerca de metade das empresas afirma que pretende reforçar a presença nos mercados externos onde já actua, potenciando os meios disponíveis e os conhecimentos adquiridos.

O continente africano está no topo das preferências como mercado destino da internacionalização das maiores empresas de construção (representa cerca de sessenta por cento (60%) do volume de negócios gerado no exterior), com especial destaque para os países de expressão portuguesa, pela proximidade ao nível da língua, do direito, da cultura e das relações estabelecidas. Neste contexto destaca-se Angola, que representa cerca de cinquenta por cento (50%) do volume de negócios internacional, nas empresas com volume de facturação superior a duzentos (200) milhões de Euro. Além dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), as maiores empresas portuguesas de construção consideram como mercados atractivos e de aposta nos próximos dois anos, o Norte de África e o Leste Europeu.

A diversificação de actividades é uma realidade já implantada no sector da construção, dado cerca de noventa por cento (90%) das empresas inquiridas afirmar estar presente em outros sectores de actividade, além da construção.

As construtoras transformaram-se em empresas multi-actividade, com apostas claras nas concessões e no imobiliário, mas igualmente na indústria e no ambiente. As concessões são a área de maior atracção, com mais de setenta por cento (70%) das grandes empresas inquiridas presentes. Esta aposta natural é uma forma de alcançar margens superiores e cash-flows constantes, que contrabalançam as reduzidas margens do sector da construção (que em termos médios cifraram-se em 3,3% no ano de 2007) e as flutuações de actividade que o caracterizam.

O estudo da ANEOP e da Deloitte revela que a diversificação está focada na integração de actividades ao longo do ciclo de vida do produto, desde os materiais de construção até à exploração dos activos edificados. As empresas consideram que esta estratégia será reforçada no futuro, em particular derivada do modelo de Parcerias Público Privadas (PPP’s) proposto pelo Estado, onde as empresas de construção são responsáveis desde o financiamento até à exploração das infra-estruturas.

As maiores empresas de construção em Portugal consideram que será indispensável promover a concentração no sector, dado encararem a dimensão como um factor essencial para a suportar o reforço dos processos de internacionalização e de diversificação de actividades. Consideram que o sector carece de empresas de elevada dimensão, constatando-se efectivamente que Portugal apresenta um índice de concentração equivalente a praticamente metade da média europeia.

Esta necessidade é reconhecida pela larga maioria dos inquiridos, mas de igual forma consideram que o movimento de consolidação será pouco provável a curto prazo, dada a actual reduzida disponibilidade e capacidade financeira das empresas para participar nestes processos, bem como a preponderância de empresas de gestão familiar e face às especificidades da cultura de negócios nacional, que implicam que estes processos tenham que ser normalmente realizados através de aquisições.

O Estado destaca o papel preponderante do sector da construção na economia nacional, sendo importante que o sector funcione de forma eficiente, que adopte novas tecnologias e aposte na qualificação dos recursos humanos, bem como que as empresas ganhem dimensão, condições essenciais para aumentar a capacidade de produção e dar resposta ao plano de investimento previsto no campo das infra-estruturas, em particular no âmbito das parcerias público privadas (PPP’s), bem como para suportar a estratégia de internacionalização desencadeada pelas maiores empresas do sector.

“O Poder da Construção em Portugal – Impactos 2009/2010” pretende evidenciar a importância do maior sector da actividade económica portuguesa, sistematizar uma visão estratégica do mercado com base nas perspectivas das maiores empresas do sector, analisar os principais desafios ao nível da gestão e possíveis soluções. O processo de recolha de informação decorreu entre Fevereiro e Maio de 2009 tendo como base o know-how da ANEOP, o estudo internacional European Powers of Construction da Deloitte, questionários às 50 maiores empresas e entrevistas presenciais com os principais responsáveis de empresas de construção e com o ministro das Obras Públicas, Transportes e comunicações, Eng.º Mário Lino.

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