Inteligência em gestão de riscosDOWNLOAD |
Receita, preço e imagem são os principais focos da gestão de riscos das organizações brasileiras. Para as listadas também na bolsa americana, riscos de mercado são os mais citados
Estudos da Deloitte identificam os principais riscos gerenciados pelas grandes empresas brasileiras e como elas se preparam para minimiza-los, além dos riscos divulgados por empresas nacionais listadas na Securities and Exchange Commission (SEC).
São Paulo, 11 de dezembro de 2012 – A volatilidade do mercado nos últimos anos foi responsável por uma mudança no processo de gestão de riscos nas organizações brasileiras e muitas delas identificam as práticas de boa governança como principal alicerce nesse processo. Essas considerações fazem parte das conclusões de dois estudos complementares desenvolvidos pela Deloitte: Inteligência em Gestão de Riscos e Os Principais Riscos das FPIs Brasileiras.
Enquanto o primeiro – uma pesquisa primária que ouviu empresas de todo o País, sendo 54% delas com faturamento maior que R$ 1 bilhão – analisa o estágio em que se encontram as organizações brasileiras, desafios enfrentados e os benefícios percebidos no processo de gerir riscos, o segundo levanta as principais adversidades percebidas e divulgadas por companhias brasileiras de capital aberto listadas na bolsa de valores de Nova York e que representam 60% do valor total negociado na BM&FBovespa. “Na pesquisa primária, são considerados os riscos que as empresas brasileiras estão gerenciando internamente e como têm trabalhado a gestão desses temores no mercado local. Já o estudo das FPIs mapeia os riscos ligados aos cenários externos que incidem sobre as grandes empresas brasileiras e que são gerenciados ou percebidos de forma pró-ativa”, explica Ronaldo Fragoso, sócio da área de Consultoria da Deloitte e líder para as soluções de riscos empresariais.
Os principais focos de atuação por parte das empresas brasileiras no gerenciamento de riscos são: o aumento da receita e gestão de imagem, com 75% e 70% das respostas, respectivamente; seguido pela otimização de custos (68%) e tributos (60%). Por outro lado, os maiores objetivos com a implantação e fortalecimento do gerenciamento de riscos são: mensurar os riscos da empresa (82%); gerar e preservar valor para os acionistas (74%); estar integrado às estratégias da organização (54%); e estar integrado aos procedimentos de governança corporativa (53%).
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2012 – gerenciados neste ano |
2013 – expectativas de gerenciamento |
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Planejamento orçamentário |
Planejamento orçamentário |
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Ocorrência de fraude |
Inovação Tecnológica |
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Reputação e imagem |
Cenário Econômico |
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Inadimplência |
Confiabilidade no sistema |
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Questões tributárias e fiscais |
Questões tributárias e fiscais |
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Satisfação do cliente |
Satisfação do cliente |
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Práticas comerciais |
Reputação e imagem |
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Obrigação contratual |
Logística |
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Regulamentação |
Regulamentação |
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Acesso e confiabilidade das informações |
Concorrência e Mercado |
A implementação de um processo adequado de gerenciamento de riscos passa pela estruturação de boas práticas de governança. É possível elencar nove pontos importantes para garantir sucesso neste processo: definição e entendimento dos riscos; utilização de padrões e metodologias; papéis e responsabilidades; envolvimento da alta administração; infraestrutura para a gestão de riscos; avaliação periódica do processo; responsabilidade das áreas de negócios; e suporte de funções difusoras. Mas a grande maioria das empresas, 83%, ainda não se considera em um estágio ideal na questão da governança corporativa e 59% não possuem um comitê direcionado para o gerenciamento de riscos. Apesar de disso, 71% demonstram crescimento de interesse pelo tema.
“Percebemos que as empresas brasileiras estão cada vez mais preocupadas em levantar os riscos, avaliá-los e obter meios eficazes para enfrentá-los. O País vem amadurecendo nesse sentido, o que garantirá mais competitividade e segurança para investimentos nestas companhias”, avalia Alex Borges, sócio da área de Consultoria da Deloitte e especialista em gestão de risco.
Setenta e dois por cento dos respondentes apontaram a identificação de fatores de risco de fraudes como ’ótimo‘ ou ’bom’, enquanto, para 64%, a identificação dos riscos relacionados a transações não rotineiras é avaliada como ’ótimo‘ ou ’bom‘. Cinquenta e oito por cento dos executivos dizem também que já estão em processo de identificação de riscos.
Outra constatação da pesquisa é que, mesmo que a maioria identifique previamente os riscos, ainda são poucas empresas que chegam a avaliá-los: 61% dos respondentes dizem que a definição clara dos indicadores de riscos ainda é irregular ou insuficiente dentro de sua organização. Por outro lado, 72% dos executivos dizem ser ’ótimo‘ ou ’bom‘ a identificação dos pontos em que houve falhas e ou oportunidades; 66% dos executivos avaliam que o processo de implementação de ações como ‘ótimo’ ou ‘bom’.
“O processo de avaliação vem sendo realizado de forma qualitativa. Grande parte das organizações tem buscado se estruturar, de modo a definir o apetite aos riscos e instrumentos para a devida mensuração”, aponta Alex Borges.
“A gestão de riscos precisa ser constantemente atualizada e aprimorada, garantindo uma padronização do processo e visualização consolidada das adversidades percebidas ou sofridas”, conclui Ronaldo Fragoso.
Feita entre julho e outubro, a pesquisa primária ouviu 57 executivos de empresas de várias regiões brasileiras, entre presidentes, vice-presidentes e diretores. Entre os principais setores ouvidos, estiveram: serviços (15%), energia (15%, automotivo (11%), tecnologia e mídia (11%), indústria e construção (7%), papel e celulose (7%). Não houve participação do setor financeiro; 85% das empresas ouvidas estão listadas na BM&F Bovespa e 20% na New York Stock Exchange; 54% das empresas têm faturamento anual maior que R$ 1 bilhão.
Este estudo mapeou os riscos divulgados por 30 organizações do Brasil na Bolsa de Nova York, regulamentada pela Securities and Exchange Commission (SEC), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) local. São as FPIs brasileiras – de “Foreign Private Issuers”, companhias que se enquadram na categoria de emissores de ações estrangeiros (“não norte-americanos”) no mercado de capitais dos Estados Unidos.
Apesar de representar aproximadamente 10% do total de organizações de capital aberto no Brasil, estas companhias respondem por cerca de 60% do valor total negociado na BM&FBovespa, ou seja, R$ 1,5 trilhão (US$ 720 bilhões).
O levantamento contemplou quatro setores econômicos: Serviços Financeiros; Consumo e Produtos Industriais; Energia e Recursos Naturais; Tecnologia, Mídia e Telecomunicações. As análises dos riscos se concentraram em quatro grandes pilares: aspectos externos às organizações; governança; estratégia e planejamento; áreas operacional e financeira; e questões regulatórias. Examinando as citações das companhias em formulário específico e obrigatório encaminhado por elas à SEC, foi possível apontar dez riscos entre os mais reportados, conjunto que envolve preocupações de todas as indústrias elencadas. São eles: fatores de mercado; cenário econômico; regulamentação; concorrência; geopolítica; reputação e relacionamento com acionista; planejamento e disponibilidade de capital; recursos humanos; segurança de informações; e meio ambiente, saúde e segurança.
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