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Global Economic Outlook
Economistas da Deloitte partilham perspectiva optimista sobre o panorama económico mundial
Publicado: 20/11/08

A economia global continua em risco, mas a rapidez e a dimensão dos esforços feitos pelos vários governos são um bom prenúncio de recuperação num futuro não muito distante – pode ler-se no Global Economic Outlook para o 4º trimestre publicado pela Deloitte Touche Tohmatsu. O relatório, elaborado por cinco economistas da Deloitte, prevê que, embora as economias dos países desenvolvidos continuem em forte desaceleração, a injecção massiva de fundos públicos deverá repor a actividade dos mercados de crédito e preparar terreno para a recuperação. Os efeitos negativos desta desaceleração atingirão os países emergentes.

No relatório são analisados casos anteriores de crises financeiras na Noruega, Finlândia, Suécia e no Japão nos anos noventa e também nos Estados Unidos durante a crise das savings and loans, que sugerem que a recapitalização dos bancos pode ser benéfica para as economias, sem implicar necessariamente um pesado fardo financeiro para os contribuintes. No entanto, o relatório salienta também que os períodos de desaceleração económica desencadeados por crises financeiras tendem a ser mais graves e prolongados do que os que são originados por outras causas. 

“Ao contrário de algumas crises financeiras anteriores, esta desencadeou uma resposta rápida e forte por parte dos governos dos dois lados do Atlântico”, afirmou o Dr. Ira Kalish, Director do Global Economics da Deloitte Research. “Por isso, temos razões para ser moderadamente optimistas em relação às perspectivas da economia mundial a médio prazo.”

O relatório faz também uma análise a longo prazo, sugerindo o impacto que se poderá fazer sentir em diversos sectores. “O corte do crédito faz parte de uma reestruturação da economia a longo prazo”, acrescenta o Dr. Kalish. “Como resultado, assistir-se-á a uma alteração da base da economia americana das importações originadas pelo consumo, para uma economia mais baseada nas exportações. A Ásia, por seu lado, irá desenvolver uma economia mais baseada no consumo, o que cria oportunidades e desafios para as empresas de todos os sectores de actividade.”

“Nos Estados Unidos, a recapitalização dos bancos irá ajudar a revitalizar os mercados de crédito”, prossegue o Dr. Kalish. “A consolidação bancária na zona euro terá um impacto positivo a longo prazo na eficiência dos mercados de capitais europeus. Por fim, as economias emergentes da Rússia, Índia e China, embora registem também um abrandamento, continuarão a ser fortes impulsionadores do crescimento mundial.


“Quando se iniciar a recuperação económica, a inflação será um desafio significativo em muitos países. Alguns países, como a Índia e a China, estão já numa situação limite. Quanto mais tempo estes países demorarem a resolver o problema da inflação, mais difícil será para eles reduzirem futuras pressões inflacionistas.” 

A propósito do impacto da volatilidade do preço do petróleo, o Dr. Kalish afirmou que “Uma descida do preço do petróleo poderia anular parcialmente o efeito negativo da crise do crédito. No entanto, o nível relativamente elevado do preço do petróleo terá um impacto negativo sobre a produção.” A OCDE prevê que este impacto sobre o crescimento seja mais acentuado nos E.U.A. devido à sua elevada dependência energética e à desvalorização do dólar (ao preço de 120 dólares por barril, prevê-se um crescimento negativo entre -0,21 e 0,51 e -0,06 e 0,2 pontos percentuais, respectivamente nos Estados Unidos e na Zona Euro).

Análise por países:

  • O Brasil poderá enfrentar um abrandamento do seu crescimento devido à redução do preço das mercadorias e à diminuição da procura de produtos exportados das indústrias transformadoras. É provável que o país volte a obter um ritmo de crescimento moderado quando a economia global recuperar.
  • Na China, as perspectivas são pouco claras, com a uma diminuição do PIB e o governo chinês a tentar equilibrar o melhor possível a subida da inflação com o abrandamento do crescimento.
  • A Índia registará um crescimento menor. A longo prazo, as perspectivas dependerão da capacidade do governo de investir em infra-estruturas.
  • No Japão, é de prever que o abrandamento será de curta duração e a recuperação relativamente forte.
  • A Rússia enfrenta a problema da percepção de risco da parte dos investidores estrangeiros. A excessiva dependência do petróleo é apenas um dos vários factores que podem originar futuros problemas para a Rússia.

“O objectivo deste relatório é dar à comunidade empresarial uma perspectiva estratégica da economia”, explicou o Dr. Kalish. “Na conjuntura actual, é importante que tanto as empresas dos países desenvolvidos como dos países emergentes compreendam os riscos que enfrentam e o potencial impacto desses riscos na estratégia empresarial.”

O relatório pode ser obtido na íntegra no site da Deloitte: http://www.deloitte.com/dtt/article/0,1002,sid%3D16399%26cid%3D230064,00.html.

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Fonte: Deloitte Portugal - Portugal (Português)

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