O relatório trimestral da Deloitte revela que de Janeiro a Setembro do corrente ano, a indústria hoteleira registou uma ligeira queda em toda a Europa. As receitas por quarto disponível (revPAR) baixaram 1,5% para €76 acompanhando a quebra de 1,9% na taxa de ocupação a par de uma descida marginal do preço médio por quarto para €112.
No entanto, tomando em consideração apenas os dados de Setembro, o indicador revPAR perdeu 6,7% em toda a Europa.
Alex Kyriakidis, Global Managing Partner da Deloitte de Tourism, Hospitality and Leisure comentou: “O mundo está a assistir a uma das fases de maior abrandamento económico dos últimos tempos, que está a afectar mais alguns países europeus que outros É visível que a taxa de ocupação está a diminuir na maior parte das cidades e, a avaliar por experiências anteriores, os preços médios dos quartos seguirão a mesma tendência. Não é possível prever ainda quando irá terminar esta recessão a nível mundial. Os operadores hoteleiros centrar-se-ão mais do que nunca na relação entre qualidade e preço, sendo previsível que haja uma canibalização entre os vários segmentos, com os consumidores a prestarem cada vez mais atenção aos seus orçamentos.”
O desempenho do indicador revPAR foi variável entre as cidades da zona Euro. Em média, a taxa de ocupação desceu para valores negativos, ao mesmo tempo que se registou uma ligeira subida no preço médio dos quartos.
Bruxelas inverteu esta tendência, registando um aumento de 3,3% na taxa de ocupação e uma subida média dos preços de 6,3%, que levaram a um crescimento do revPAR de 9,8% para €82. Os hotéis de Bruxelas são considerados menos dispendiosos do que os de outras capitais europeias, mas registam um forte desempenho, motivado por um lado pela procura constante originada pelas conferências da Comissão Europeia e por outro por uma oferta limitada em termos de novos espaços.
Chipre foi uma outra zona em destaque, com o maior crescimento do revPAR da zona Euro –em 11,8%, correspondendo a €88. O sector hoteleiro deste país pode também orgulhar-se de ter conseguido aumentar o preço médio dos quartos mais rapidamente do que qualquer outro país da zona Euro, com um valor de €142, correspondendo a um aumento de 14,4%.
De forma contrária, em Dublin a evolução não foi tão favorável. A taxa de ocupação caiu 5,7%, enquanto o preço médio dos quartos desceu em 6,2% do revPAR. Nos últimos dez anos, com uma economia forte e incentivos fiscais muito favoráveis, os hoteleiros sentiram-se encorajados a duplicar o número de quartos de hotel na Irlanda. O elevado número de quartos disponíveis associado ao declínio económico registado não só na Irlanda como nos principais mercados fornecedores – o Reino Unido e os Estados Unidos – levou a uma situação de crise tanto no turismo a nível interno como internacional.
As variações de receitas do sector hoteleiro nas cidades fora da zona Euro foram ainda mais acentuadas.
A estabilidade política em Israel, a par de um interesse crescente pelas viagens de natureza religiosa e ao Mar Morto, têm impulsionado significativamente a indústria hoteleira deste país. Em Telavive, o RevPAR registou uma subida de 18,1% para €118 nos primeiros nove meses de 2008, prevendo-se também que esta tendência se mantenha em 2009, ano em que a cidade vai celebrar o seu primeiro centenário. Telavive atingiu também a segunda maior taxa de ocupação, com 80,9%, apenas meio ponto percentual abaixo de Londres. Jerusalém e Eilat também registaram um desempenho positivo, com o RevPAR a subir 16,3% e 10,8% respectivamente.
Entretanto, em Bucareste, o revPAR baixou 8,2% para €73. A capital romena registou a segunda maior queda na taxa de ocupação em toda a Europa, fixando-se em 61,2%, o que corresponde a um decréscimo de 14,2%. Em 2008, a cidade sofreu uma verdadeira invasão de novos quartos, com a abertura do Ramada Plaza e do Radisson SAS e a conclusão das obras de ampliação do RIN Grand.
Segundo Alex Kyriakidis, “o investimento na indústria hoteleira diminuiu para cerca de 5 mil milhões de euros na Europa, contra 21 mil milhões no ano passado. No entanto, os empresários que conseguem obter financiamento estão a avançar a toda a força para mercados emergentes como a Turquia, Rússia e a Comunidade dos Estados Independentes. Os fundos de investimento públicos e as grandes marcas continuam a fazer aquisições. A actual situação de instabilidade dos mercados financeiros pode constituir uma boa oportunidade para as empresas com grande liquidez que queiram investir em activos ou empresas hoteleiras em situação difícil.”
“Até agora, os hotéis têm estado a provar que conseguem fazer face ao abrandamento económico”, afirmou Marvin Rust, Managing Partner da Deloitte de Hospitality, acrescentando que “os momentos mais difíceis da actual crise financeira só se registaram depois de Agosto, e é agora que os seus efeitos estão a fazer-se sentir de forma mais acentuada no sector hoteleiro.” Na Europa, o RevPAR baixou durante quatro meses consecutivos e continuará em território negativo no último trimestre do ano.
“A actual tendência de queda da confiança económica na zona Euro não está a dar sinais de abrandamento, pelo que não é de admirar que algumas City breaks, antes considerados comportáveis, sejam agora vistos como um luxo. Os hoteleiros estão a enfrentar uma situação difícil, que combina a queda da confiança dos consumidores com as dificuldades no acesso ao crédito e o corte no investimento, e cujo efeito no desempenho do sector se fará sentir ainda mais em 2009.”
Desempenho do sector hoteleiro de alguns mercados europeus de Janeiro a Setembro de 2008
| | Ocupação (%) | Preço médio por quarto (€) | RevPar (€) | Variação do RevPar (%) | | Europa | 67,8 | 112 | 76 | 2,5 | | Zona Euro | 65,8 | 111 | 73 | 1,1 | | Fora da Zona Euro | 69,9 | 113 | 79 | -4,0 | | Baku | 52,7 | 140 | 74 | 27,7 | | Berlim | 70,0 | 88 | 62 | 4,0 | | Bruxelas | 70,8 | 116 | 82 | 9,8 | | Bucareste | 61,2 | 120 | 73 | -8,2 | | Chipre | 61,8 | 142 | 88 | 11,8 | | Dublin | 74,3 | 123 | 91 | -6,2 | | Eilat | 70,3 | 100 | 70 | 10,8 | | Frankfurt | 60,9 | 106 | 65 | -0,8 | | Genebra | 68,9 | 254 | 175 | 17,0 | | Jerusalém | 71,0 | 130 | 92 | 16,3 | | Lisboa | 65,1 | 97 | 63 | 0,2 | | Londres | 81,4 | 169 | 138 | -7,9 | | Moscovo | 69,1 | 256 | 177 | 10,4 | | Paris | 78,7 | 243 | 191 | 5,6 | | Reiquejavique | 65,4 | 100 | 66 | -24,9 | | Stavenger | 71,4 | 132 | 94 | 21,8 | | São Petersburgo | 63,6 | 155 | 99 | 12,7 | | Telavive | 80,9 | 146 | 118 | 18,1 | | Varsóvia | 67,1 | 96 | 64 | 13,4 | | Zurique | 74,8 | 160 | 120 | 13,8 | Fonte: STR Global
Nota ao editor:
A análise detalhada pode ser consultada no relatório trimestral da Deloitte ‘Hospitality Vision’. Todos os valores são expressos em Euros.
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